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53>Mangue Seco – Bahia>08.08.2011 agosto 21, 2011

Posted by bttgeraes in Sem categoria.
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Ficha Técnica

Localidade: Costa Azul – > Mangue Seco
Data: 8 e 9 de Agosto de 2011
Distância Total: 56km, em 5 horas
Reabastecimento d’água: não
Sinal de Celular: sim
Tipos de via:
-caminho em areia à beira-mar: 100%
Navegação: fácil
Nível de Dificuldade: fácil, considerando maré baixa.

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A Vila de Mangue Seco

Pesquisando no mapa um ponto onde eu poderia passar a noite numa viagem de carro entre Salvador e Aracaju, a localidade Mangue Seco ativou conexões em minha memória, me levando de volta à infância, ao livro do Baiano Jorge Amado, “Tieta do Agreste”. Também nessa época, a homônima novela global batia cartão nas noites lá de casa, onde sentávamos todos frente à telinha para acompanhar a arretada Tieta e suas apimentadas estórias. Eu era muito jovem, uma inocente criança, mas lembro que os marmanjos se encantavam com as curvas e toda sensualidade das atrizes Cláudia Ohana (Tieta quando jovem) e Betty Faria (já mulher feita). De minha parte, o que me atraía de verdade e me enchiam os olhos eram as paisagens daquela vila de pescadores chamada Mangue Seco, no litoral nordestino, divisa entre Bahia e Sergipe.

Céu, mar e areia

Portanto, sem pensar muito, decidi conhecer a terra natal de Tieta e mergulhar, aliás, pedalar naquele universo de Jorge Amado. Afinal de contas, estava na Bahia!

Acertei o destino pelo GPS e saí de Salvador bem cedo, pela linha verde, ou estrada do côco. Já perto da divisa com Sergipe, o aparelho indica a saída à direita, numa pista esburacada que em breve se transformaria numa estrada de terra, ainda pior. O caminho parecia muito estranho, então conferi novamente e pude ver que aquela pista daria na praia, mas Mangue Seco ainda distava cerca de 30 kmpor caminho 4×4 à beira mar. OK, quem tem uma bicicleta no rack de seu carro não precisa de fora-de-estrada! Desse modo continuei ainda mais animado, pois o pedal estava garantido.

Mais meia hora de muito sacolejo e o verde mar se apresentava a mim, dando fim a precária estrada, marcando início desse btt. Poucas casas e alguns quiosques frente à praia compõe o povoado Costa Azul. Foi lá que estacionei o veículo, desci a magrela e abastecia os alforjes, tudo sob olhares curiosos dos nativos, certamente não acostumados com a cena que presenciavam.

Pronto pra Partida

Últimos detalhes ajustados e saio em direção à praia. Alguns metros pedalados e já percebo o quão será dura a jornada. A maré estava muito alta, me obrigando transitar próximo da areia fofa e úmida. E a bicicleta bastante pesada. Como resultado, constantes atolamentos e muito desgaste físico para sair do lugar. Tanto que gastei hora e meia para vencer os primeiros 6 dos 28 kmprevistos.

A btt

Resolvi parar, fazer umas fotos e esperar a maré recuar um pouco. Era um dia muito bonito, o céu incrivelmente azul contrastava de forma espetacular com o calmo oceano de pequenas ondas e alvas espumas, que vez e outra chegavam aos pneus da btt, dando-me um banho salgado, na sequência. Em situação bem mais favorável, retorno ao selim da bicicleta e aos poucos vamos fazendo as pazes, eu e as ondas, para um pedal menos penoso e mais contemplativo.

Em todo o trajeto pedalei solitário, nenhuma “vivalma” interceptei pelo caminho. Sequer um pescador em sua lida com o mar. Companhia fiel me faziam os coqueiros a perder de vista, a agradável brisa e é claro, céu, mar, areia. Nesse ritmo fui vencendo os quilômetros até avistar novos quiosques e alguns turistas. Sim, chegava à Mangue Seco, exausto, porém feliz. Um pouco de empurra bike pela areia fofa em trechos entre a praia e a vila e já entrava na Pousada Suruby, muito bem recebido pelo proprietário simpático e boa prosa Seu Nequinha. Ali jantei a saborosa comida de Dona Lenir e descansei a noite daquele grande e belo dia.

Uma Pausa

Mas ainda sobrou tempo para algumas fotografias ao pôr-do-sol. Aquela tarde se despedia diante de mim em momento de pura magia. E a pacata vila de aproximadamente 200 habitantes adormecia à medida que a luz se retirava no horizonte. Mais alguns minutos e não se podia avistar uma só pessoa perambulando por parte alguma. Satisfeito, endorfinado e com o corpo cansado, também não tardei a dormir profundamente na cama de meu quarto.

Vista da Pousada

Pôr-do-Sol

Na manhã seguinte, bem cedo, já tomava reforçado café da manhã para enfrentar novamente o percurso do dia anterior. Mas desta vez a maré seria minha amiga. Mesmo sob forte vento contrário e fina garoa, em pouco mais de uma hora de constante e forte pedal, já reencontrava meu carro estacionado,em Costa Azul. Eassim me despedi da terra de Tieta do Agreste.

Visitar Mangue Seco foi como um sonho. Encantamento, calmaria, pura paz e beleza. Fica a doce lembrança e certeza da volta, em ocasião de tempo mais dilatado, sem pressas, pois ela definitivamente não combina com aquelas paragens.

Silêncio total às 19 horas!!

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