43>Rancharia-Ibitipoca>04.04.09 Maio 4, 2009
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Ficha técnica:
Localidade: Lima Duarte – MG
Data: 04 de abril de 2009
Distância total: 52km em 5 horas
Reabastecimento d’água: sim
Sinal de celular: fraco
Tipos de via:
- estrada de terra: 48%
- estrada vicinal: 38%
- estrada calçada: 2%
- trilha: 12%
Navegação: difícil
Nível de dificuldade: médio
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8:35h – Muskito Elétrico é um nome engraçado para um bar de beira da estrada e é justamente este o nome do lugar onde, num sábado de manhã, deixamos os dois carros de apoio e montamos nas bicicletas.
Rumando na direção noroeste tentaríamos acertar o caminho até uma cachoeira perto de Rancharia. Seguiríamos dali para Conceição de Ibitipoca, retornando depois para o Muskito Elétrico. Às nove horas, quando começamos a pedalar, o sol estava completamente encoberto pelas nuvens e uma leve garoa ia e vinha ao sabor do vento.
9:02h – Os primeiros quilômetros são vencidos numa estrada de terra muito utilizada, pois é o principal acesso ao Parque Estadual de Ibitipoca. Apesar disso, por causa da hora ou do clima, enfrentamos pouco trânsito e quase nenhuma poeira. Algumas curvas e subidas depois, abandonamos a bem conservada via e, à esquerda, começamos a penetração através de caminhos menos utilizados em direção a Rancharia. Hoje um pequeno vilarejo, Rancharia outrora foi importante e quase obrigatório ponto de parada para reabastecimento de tropeiros, garimpeiros e viajantes da região.
9:36h - Atravessando antigas fazendas e seus pastos, abrindo e fechando porteiras, após muitas bifurcações e diversos mata burros depois, seguíamos caminho cortando pequenas matas, alguns campos rochosos e muitas plantações de eucaliptos. O alto das montanhas continuava encoberto pela névoa mas a garoa havia se dissipado. O sol permanecia escondido e a temperatura ia mudando sensivelmente à medida que subíamos a serra.
10:10h – Margeando rios e desafiando trechos técnicos, nossos pneus iam vencendo as irregularidades. Após ultrapassar a entrada para o trecho conhecido como Disneylândia, deixamos para trás também a última mata fechada. A agradável estradinha ainda úmida das chuvas dos dias anteriores agora serpenteia serra acima ladeada por vegetação de cerrado e pastos. As porções de terra vermelha são intercaladas por com um terreno mais arenoso e de coloração esbranquiçada, indicando a diferença de idade na formação daqueles ermos.
10:37h – Finalmente chegamos aos pés da grande subida. Os mais fortes seguiam na frente enquanto os demais procuram encaixar a respiração no novo ritmo. A estradinha, novamente vermelha, vai ficando cada vez mais técnica à media que se sobe, colocando à prova a concentração e o preparo dos novos tropeiros. Cada curva, cada pedra, cada desnível pode significar desequilíbrio e pés no chão, o que atrapalha qualquer ciclista que se preze. Por isso é muito importante endurecer os braços, parar o diálogo interior e concentrar-se apenas no terreno à frente se quiser chegar inteiro no alto. Ultrapassando a altitude dos mil metros pode-se sentir, além da mudança na temperatura, drástica mudança na vegetação. Rareiam as matas e os campos de altitude desabrocham em formações rochosas, plantas arbustivas e pequenas flores; tudo castigado pelo vento frio que, na sombra, quase congela.
11:20h – Vencida a grande ascensão, pedala-se mais um pouquinho e chega-se a Rancharia. A estrada de areia reaparece. Uma igreja branca e azul domina a paisagem “urbana” da vila. Algumas casas de pedra completam a visão. Hora de procurar alguma bodega para incrementar o lanche. Infelizmente estava fechada e o jeito foi seguir, de barriga vazia mesmo, a viagem morro acima.
11:42h – Ajustando o rumo para norte, embrenhamo-nos numa certa trilha à esquerda na beirada da estrada com a intenção de cortar caminho. A trilha passa por dentro de um trecho de mata e desemboca numa cerca eletrificada.
Não tínhamos certeza se o caminho certo passava por ali, mas mesmo assim atacamos com vigor aquele pasto inclinado, a despeito dos bois chifrudos que nos observavam lá de cima. Finalmente a inclinação foi vencendo um por um e todos os ciclistas foram obrigados a desmontar e empurrar suas bicicletas. Aproximávamo-nos cada vez mais dos pontiagudos chifres e houve até quem desejasse voltar.
Ignorando os curiosos animais que nos fitavam insistentemente, passamos por eles quase no pico e reassumimos a posição no alto de nossos selins para assim apreciar a fabulosa vista.
Montados pudemos também aproveitar a descida vermelha, pedregosa e erodida que nos esperava. Muito perto, som de água caindo, porém não pudemos distinguir a cachoeira, escondida no vergel que retomava as margens de nosso caminho.
12:25h – Vencemos o trecho mais técnico e puxado de toda a rota mas, além de perder a entrada para a cachoeira, fomos obrigados a retomar o caminho para Rancharia. A estada de acesso para a cachoeira que buscávamos ainda estava longe. A tentativa de cortar caminho pelo pasto é frustrada, porém rende um belo visual e um baita desafio. Novamente circulando por entre as poucas, inclinadas e pedregosas ruelas de Rancharia, desta vez encontramos um bar com as portas abertas e pudemos complementar com bebidas geladas o lanche que levávamos.
Recuperadas as forças, é hora de ajustar os freios, conferir os apertos e seguir viagem. O mirante da tapera marca a transição para Conceição e é também um dos pontos mais altos desta rota.
13:10h – A entrada em Conceição foi feita por uma via lateral e pouco utilizada. Logo que chegamos reunimo-nos na Padaria Ibitipoca para finalizar o almoço. Momentos de descontração, descanso e contemplação. A vila estava vazia. Somente moradores e uns poucos turistas zanzavam pelas tortuosas ruelas. O sol ainda brincava de esconder por detrás das nuvens e os picos, ao longe, mostravam-se já descobertos e livres da névoa que os encobria desde a manhã.
13:40h – Após devorar os alimentos que ainda carregávamos é hora de procurar o melhor lugar para descansar antes do retorno. Com as barrigas cheias rumamos para o mirante do Cruz das Almas, nome pelo qual é conhecida a ladeira que liga a principal estrada até a vila. Esta ladeira é muito famosa na região pois é palco das mais pitorescas, absurdas e improváveis peripécias seja de bicicleta, moto, carro ou caminhão. Até a pé é difícil vencê-la, tanto subindo quanto descendo. Escorregadia, com calçamento irregular e constantemente coberta de areia, este trecho é uma verdadeira armadilha para os desatentos, deixando o acesso à vila com um gostinho a mais de aventura.
14:10h – Após breve descanso no mirante, é chegada a hora de iniciar o retorno. O sol finalmente aparece. A longa descida do Cruz das Almas é cercada de velhas fazendas, matas e pequenos cursos d’água. Intercalando calçamento de pedras, terra e bloquetes de cimento, cada curva guarda uma história ou uma atração diferente: uma árvore tombada, um velho moinho ou apenas a mata verde escuro salpicada de quaresmeiras e ipês em flor.
Quem desce rápido demais perde a oportunidade de contemplar estes pequenos espetáculos da Natureza que, conjugados com a ação do homem, fazem desta uma das regiões mais belas neste canto do nosso vasto Brasil.
Agradecimentos a toda turma que encarou este desafio, especiais ao Leonardo, que com muita disposição e boa-vontade guiou mais esta aventura. Que venham as próximas!



























Muito bacana o relato…
Ibitipoca é realmente um lugar que todo BIKER deveria conhecer.
Obrigado pelo agradecimento…
Até o proximo rolé!!!!
Um abraço…
valeu Diogo, por eternizar mais esse desafio na serra. teve bao!! ate o proximo!!!!! abc..
Boa… a cobertura ficou ótima… vamos marcar outro. abraço
Diogo,
Espero ser convidado pro próximo em Ibitipoca.
Show de bola.
Athos
E ai Diogo blz!
O relato ficou muito legal, Ibitipoca é sem comentarios né, o rolé foi show e nos divertimos muito, quando tiver mais é só me falar que to dentro com vcs, foi e é um grande prazer pedalar com vcs.
Parabéns e até o próximo se Deus quiser e ele quer.
Abraços.
Muito boa a reportagem escrita e fotografica sobre o pedal a Ibitipoca. Nós, todo ano vamos tambem a Ibiti, este ano foi do dia 9 a 12 de abril. Fui tambem a Bocaina de Minas dia 17/05/2009 e vi um video de vcs no Youtube. Qualquer dia desses a gente se encontra num passeio.
Meu album na net está em http://www.picasaweb.com/jbcreis
Grande abraço a todos!
João Bosco
Fala rapaziada, parabéns pelo rolé! Jà tinha lido a página de vcs há algum tempo, e no sábado passado lembrei de vcs ao passar pela trilha do Vietnã e ver seu adesivo na placa de entrada… tirei foto e fiz referência no blog do Barrigudos Bike Clube (www.barrigudosbikeclube.blogger.com.br)
Quando marcarem algum rolé na região, me disponho a acompanhá-los.
Grande abraço e boas pedaladas