45>Visconde de Mauá>16.05.09 Setembro 16, 2009
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NOS ERMOS E NAS BRUMAS DA MANTIQUEIRA
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Ficha técnica:
Localidade: Bocaina de Minas – Visc. de Mauá
Data: 16 de abril de 2009
Distância total: 52km em 5 horas
Reabastecimento d’água: sim
Sinal de celular: fraco
Tipos de via:
- estrada de terra: 80%
-trilha em mata: 20%
Navegação: intermediária
Nível de dificuldade: intermediário
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8:30h - O dia começou tarde naquela sexta feira nublada nos arredores de Santo Antônio do Rio Grande, distrito de Bocaina de Minas. A noite anterior fora de chuva. Eram quase dez horas e o sol ainda aparecia timidamente. Acordei satisfeito com os resultados da exploração feita no dia anterior. Estava igualmente satisfeito com o desempenho do jogo de pneus, que se mostrou excelente. Porém estava ainda indeciso quanto ao clima, pois a enfiada seria de mais de cinqüenta quilômetros, o que naqueles ermos exige algum preparo e a colaboração da natureza é sempre bemvinda.
9:40h – Num raro raio de sol ajeito a câmera no chão, ao lado do vistoso pé do tempero do macarrão consumido no dia anterior. Assim que o relógio marca dez horas despeço-me do amigo e procuro a estrada. Pego o rumo da Vila de Santo Antônio.
10:12h - Após vencer os primeiros três quilômetros até a vila do distrito de Santo Antônio, entro na primeira rua à esquerda, evitando o centrinho e rumando direto para Mirantão, que fica a 12km dali. A estrada, que inicia no plano, logo começa a se inclinar. Vencidos os quatro primeiros quilômetros, transforma-se em uma verdadeira ladeira e alcanço a primeira subida.
10:25h – Dali até o topo são aproximadamente mais três quilômetros exclusivamente de subida que venci sorrindo, aproveitando para observar a mudança de umidade e temperatura que ocorre quando se sobe naquelas alturas. Os últimos metros desta ascensão são de escalada ritmada em cascalho solto. O ritmo ali é muito importante. É fácil ver que, sem manutenção, a estrada rapidamente se tornaria impraticável. Atingidos 1256m de altitude a subida termina. Experimento dar uma olhada para trás.
11h - É a última oportunidade, até a volta, de enxergar Santo Antônio. O sol também desaparece. Nesta altitude, naquelas montanhas, as nuvens encobrem o sol muito rapidamente. A umidade aperta e transforma completamente o ambiente. Aquele calor do sol dá lugar a um ambiente cinzento e frio.
11:25h – Segue-se longa, molhada e solitária descida. Vou descendo nas brumas. Somente estando ali para vivenciar a grandiosidade da mata que a estrada insiste em cortar, levando-me até Mirantão.As árvores gotejam e o chão está molhado como se tivesse acabado de chover. Mas à medida que se desce o sol volta a aparecer, e Mirantão também aparece lá embaixo, por entre as nuvens.
11:50h – Ali sou informado que devo seguir até Barreira, passando duas bifurcações, mas tudo indicado com placa. Sigo meu caminho para a região de Visconde de Mauá, encontrando-me somente com alguns raros cavaleiros e alguma fauna.
13h – Enfrento a maior ascensão do dia, subindo muito até os mil e quinhentos metros. Ali, num trevo muito molhado e verdejante, começa longa e escorregadia descida.
14h - Chego na ponte dos Cachorros e sigo o caminho para a vila de Visconde de Mauá. Procuro me informar no centro de atendimento ao visitante, mas a dica boa mesmo é a dada pelo dono de uma mercearia: devo encontrar a ponte que balança e dali acessar a trilha do Cruzeiro. “Uma ótima higiene mental”, ele me diz.
14:35h – Achada a tal ponte – que balança mesmo! – e cruzado o rio, começo a percorrer a trilha para a esquerda. Agora é trilha em mata e a luz muda completamente. Trata-se de belíssimo caminho que vai beirando o rio. Inúmeras cascatas e enormes araucárias marcam a sombreada paisagem. A umidade é alta e todas as árvores têm o tronco coberto de musgo.
15h - Após percorrer um extenso labirinto de trilhas, paro para descansar e comer. A natureza é intensa e cada tronco de árvore é um jardim completo.
O chão de piúca está coalhado de pinhas, e as mais bonitas recolho para cozinhar mais tarde.
15:30h – Com as imagens registradas e as pinhas devidamente acomodadas na mochila, recolho o equipamento e volto à diversão. A trilha logo se divide em mil caminhos e vou decorando as árvores e bifurcações para não me perder. A navegação ali é facilitada pela proximidade do Rio Preto, e a diversão é garantida.
16h – Começo o retorno para Mauá para reforçar a alimentação, reabastecer de água e preparar as pernas para o retorno.
16:30h – As subidas agora se sucedem e o pensamento é: onde estarei quando a noite chegar?
17:20h – Mirantão chega depois de algum tempo e ali visto a capa de chuva, preparo os faróis, bato a última foto do dia e guardo a máquina, embalando-a bem.
18:15h – A escuridão chega devagar. Agora é pedalar resolutamente até Santo Antônio. Subidas e descidas atravessadas na chuva e de noite. O frio se faz presente porém não chega a assustar devido ao exercício constante de girar os pedais e freiar a cada sombra do caminho. O importante é não ficar parado. Cada curva vencida traz para mais perto o local descanso e é com alegria que no meio da escuridão avisto as luzes de Santo Antônio do Rio Grande.
19:40h foi o horário de chegada na base. Molhado, cansado e feliz.























Natureza exuberante, muito verde da serra, que dia!!! Que belo passeio !! Conforme o senhor da mercearia comentou: “Higiene Mental”, afirmo que esse passeio todo foi uma purificação não só para a mente, mas para o corpo e a alma…
Parabéns por está lá e conseguir transmitir um pouco do que foi vivenciado.
Mandou bem demais tanto na fotos quanto no texto, queria saber se vai se lembrar de me convidar a participar numa próxima visita a um luar tão especial! Abração
Fala, Diogão, show de rolé heim? Belas fotos, belos lugares e texto excelente! Parabéns!
zurfits, bacana demais o relato e as imagens. Poesia e informaçao bem arrumados entre as fotos selecionadas. Parabéns! Discordo apenas sobre a altitude de alguns dos pontos mencionado e retifico que Santo Antônio do Rio Grande não é vila do distrito de Bocaina e sim um bairro rural de Bocaina.
Aguardo com boa curiosidade os relatos da Serra Verde e Gerão de Campo. Que no meu ponto de vista conseguem ainda serem mais selvagens e mais belos do que este de Visconde de Maua. Hug, Tomás.