51>BocainAiuruoca>30.10.10 abril 27, 2011
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Dizem que o costume, em Minas, é de comer quieto. A saída desta vez não poderia ter sido diferente. Dois bttistas objetivando romper o Vale do Paiol em direção a Aiuruoca. Não que seja impossível, mas também não é tarefa das mais simples. O tempo ajudou e a expedição iniciou silenciosa. Saímos às nove e meia, sem pressa, depois de um generoso café da manhã, sob um sol tímido e muitas nuvens. O primeiro deslocamento é um belo aquecimento para pernas, braços e pulmões.
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Ficha técnica:
Localidade: Bocaina de Minas, MG – Brasil
Data: 30 de outubro de 2010
Distância total: 67km em 10h
Reabastecimento d’água: sim
Sinal de celular: não
Tipos de via:
- estrada de terra: 50%
- estrada vicinal: 48%
- calçamento: 2%
Navegação: médio
Nível de dificuldade: alto
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9:58h Santo Antônio do Rio Grande nem percebeu quando os btts iniciaram a subida no calçamento de bloquetes de cimento. Os cachorros não latiram, os meninos não interromperam a pelada. Somente umas meninas pararam a conversa na janela para observar aqueles seres rodantes, antes de desaparecerem casa adentro.
10:22h Pequenas provisões nos bolsos, toca serra acima. Mas antes precisamos cruzar a vila, o que fazemos com cautela e sem pressa. A vida na roça é boa. A vida pode ser boa. Temos é que achar o ritmo certo para poder aproveitá-la.
10:25h A saída é uma descida inclinada, a velocidade aumenta naturalmente. Dali mesmo já podemos perceber como estará a mistura. Terra, água e pedras na medida certa, sem poeira nem lama. O acesso para o Paiol é sempre sorridente e florido. Mesmo quando nublado, parece que ali o brilha sol. Pastos e matas verdejantes nas beiras das montanhas, que sobem seus negros abismos verticais somente quebrados ali e ali por bromélias que desafiam a gravidade e brotam vigorosas em insignificantes fendas na pedra.
10:58h A empreitada mostra a que veio. As subidas chegam rápido e são enfrentadas de peito aberto. Pedras grandes, valetas, folhas, galhos, mais pedras, água. Tudo se mistura sob os pneus. Não se pode perder a linha, aquela linha especial que só o ciclista consegue enxergar na sua frente, permitindo que ele avance através do caos de pedras sem maiores trancos.
Você traça uma linha e a persegue. Escalar uma serra de bicicleta é uma arte de concentração, nada pode interferir. Entretanto … estamos na roça, uai! Eventuais caminhantes locais, principalmente os falantes, mais do que merecem nossa atenção. Um dedo de prosa é muito bem-vindo.
11:32h E sobe. A estrada está relativamente boa, mas continua sendo um buraco cheio de pedras. A diferença do resto em volta é que no buraco-estrada não nasce quase nada. Vamos seguindo este comprido buraco trepados nos taquinhos. Lá em cima do morro tem uma cachoeira. Por que a água parece vem sempre tão do alto? O acesso ao poço é cinematográfico: as nuvens se afastam e a luz do sol inunda com força o ambiente. Sol, água gelada, corpo quente. Um convite ao choque térmico. Entramos na água como manda a etiqueta mineira: devagarinho. Descanso para o equipamento e refresco para o corpo.
12:10h Junta tudo e vam’bora, ainda tem muita escalada. Agora a subida aperta mais, a mesa quase encosta na testa. Isso sim que é ficar próximo do equipamento.
12:59h Logo abandonamos os íngremes contrafortes da serra – aproximadamente 1630 metros – e respiramos com mais calma. Vencido o primeiro grande desafio do dia, uma recompensa: visitamos a Casinha no Alto da Serra, base para outros pedais. Mais uma vez abandonamos a estrada vicinal para experimentar outro caminho extremamente técnico. Entra-se à direita por um curralzinho calçado, marcado com uma velha roda de bicicleta na cerca. Desembocamos num gramado com valetas de irrigação, com direito a pinguela e a um visual incrível. Merece uma olhada mais de perto.
13:05h A casinhola fica serena aguardando nossa próxima visita. Os caminhos estão livres, o mato está capinado, o pé de framboesa está temporariamente domado. Apenas olhamos, nos abastecemos de água e partimos. Pouca conversa, muita coisa para ver, muitos cheiros, muitas cores. O ar puro e gelado inunda as veias, irriga os músculos e revigora as forças.
13:40h Sobe mais um pouco, agora em direção a outra possível base. Um ponto ainda mais isolado do alto da Serra, Ermos da Mantiqueira. A localização é secreta, não podemos divulgar detalhes. A visita é ainda mais breve.
14h Tem mais sobe-desce pela frente, atravessando os panelões da crista da Serra. A terra fica mais batida, a estrada mais limpa e regular, sem tantas pedras. Surgem os veios de areia cinzenta. Tem cada canseira antes de romper até o lado de lá…
14:31h Breve visão do alto, corte rápido para um teste nos freios e morro abaixo até as imediações de Alagoa. Agora é só você e uma estradinha de considerável desnível e extensão suficiente para cansar até os braços mais experientes. Tornozelos também são muito exigidos nestas situações. A vida fica na ponta dos dedos, controlando os freios a cada pedra, a cada valeta, no limite entre a gravidade e o equilíbrio.
14:58h Em Alagoa, os pneus acariciam suavidade o calçamento, que mais parece um veludo após a descida cheia de curvas e desafios da alta velocidade. Sábado movimentado, pessoas na praça, sol. Passeia daqui, procura dali, escolhemos o Restaurante Serra do Condado. O Sidney nos atendeu com grande presteza e as pobres trutas ficaram pequenas diante da fome dos visitantes.
15:28h Seguindo os preceitos da vida mineira, nada devia ser feito com pressa. Se Aiuruoca fica a 23km dali, e ainda tínhamos algumas batatas com queijo diante de nós, como conseguiríamos chegar até lá e ainda assim voltar a tempo até SARG? Queríamos aproveitar Aiuruoca e seus recantos, não fazer um bate-volta desesperado, lutando contra a hora de escurecer. Pagamos a conta, agradecemos e, como a praça estivesse cheia de gente, procuramos um lugar mais tranqüilo para descansar as pernas e deixar o sangue fluir para o estômago, iniciando a digestão de forma segura para o organismo. Tínhamos não mais diante de nós o caminho até Aiuruoca, pois cruzar a Serra do Condado, a Serra Verde e sua vertente até o Vale do Paiol mais o deslocamento até a base já consistia em canseira suficiente para aquele dia.
15:59h Após o devido descanso, limpeza e lubrificação da relação, encaramos displicentemente a serra que havíamos descido. Não adianta pensar no desnível, mas sim relaxar e ordenar as idéias – e as forças – para conservar a disposição. As nuvens mais uma vez colaboraram, chegando na hora certa.
16:48h Curva após curva vamos vencendo aquela muralha de terra. Cada giro nos pedais, cada suspiro, a força nos braços, tudo faz parte de um plano para subir da melhor forma possível. É impressionante a autonomia e a capacidade de deslocamento que um ser humano adquire em conjunto com a bicicleta.
18:12h No alto da Serra o sol volta com força – vantagens do horário de verão. Até que a subida não é tão dura, a estrada estava boa, as pernas estavam boas. Sem demora tomamos rumo de casa. Que por sinal, além de outras atrações e emoções, ainda tinha a Cachoeira 5 Estrelas no caminho…
Horário de chegada na base: 19:45h, prontos para as próximas.
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Bons passeios de btt, belas paisagens, se pudesse ia ai conhecer, fazer btt,
mas estou muito longe, tenho de ficar pelos trilhos de Portugal!
Olá Rui.
São lugares que somente as btt podem nos agraciar. Algum dia voce vai vir aqui conhecer esses lugares maravilhosos.
Bons pedais
Bacana !!! Os anos passam e o pessoal do bbtgeraes esta firme , fico feliz de achar gente que curte programas como estes, assim não sou taxado como unico maluco que sai por ai rasgando morro e estufado véia para descobrir lugares e pessoas .
Este ano passei por Alagoa vindo do Matutu e posso afirmar lugar perfeito para quem gosta de de pedalar , clima bom , piso perfeito , paissagens belissimas e gente hospitaleira . Eu Recomendo !!
Abçs galêra do BTT
Legal Fernando, somos todos malucos por trilhas e btts.
A Serra da Mantiqueira é linda e muito convidativa para pedais inesquecíveis, Alagoa. Matutu, Santo Antônio do Rio Grande, Bocaina…. São Tantos lugares que não caberiam aqui nesse post, é grande a vontade de voltar, e matar a saudade.
abraços e bons pedais!!
Ah !! lembrei de uma coisa . consegui fechar uma rota do matutu para a cachoeirra dos Garcias ( nascente mais alta do Brasil , segundo informaçoes locais , não sei se é verídico ) isto sem passar por Airuoca e esta rota ta no gravada no GPS , se algum BTT se interresar só entrar em contato. ABçs
PS. To treinando para fazer o Tour do Mont Blanc , uma travessia maluca do Mont Blanc entre França e Itália . http://www.velorizons.com
Olá Fernando! Parabéns pela nova rota. É sempre bom vencer desafios, inclusive na Mantiqueira com suas montanhas verdes Lindas. Quem sabe essa rota possa virar um relato no site! Rumo a nascente mais alta do Brasil! Boa sorte na travessia do Mount Blanc, está treinando no melhor local!! Abraços e bons pedais