52>Santana.Mirantão>02.11.10 maio 4, 2011
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Ficha técnica:
Localidade: Bocaina de Minas & Mirantão, MG – Brasil
Data: 02 de novembro de 2010
Distância total: 48km em 7:45h
Reabastecimento d’água: sim
Sinal de celular: não
Tipos de via:
- estrada de terra: 70%
- estrada vicinal: 18%
- trilha: 12%
Navegação: fácil
Nível de dificuldade: médio
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7:30h O dia amanhece nublado e quente, e isto é um bom sinal. Como nada aqui deve ser feito com pressa, acorda-se lentamente. A umidade do ar é alta, o telhado lá fora ainda goteja chuva. Alongamentos, conversas, um café da manhã fenomenal. O plano é seguir para Mirantão e, dependendo das condições do tempo e da mistura, decidiremos o que fazer.
8:45h Sai a dupla para fazer o aquecimento até a vila. Muitas folhas caídas e alguns trechos com lama.O caminho até Mirantão seria de muito ar puro, passarinhos e alguma lama. A chuva do dia e noite anteriores compactaram a terra e deixaram o ar mais limpo.
9:12h Na vila, o rumo é o de Visconde de Mauá-RJ. Esquerda total logo na entrada e a subida aparece no final da reta. A névoa já nos espera no alto da primeira serra.
9:44h A subida é encarada com calma e executada com elegância. Após um dia inteiro à toa, somente vendo a chuva cair, os btts e as btts ansiavam por aquele momento. O frio aparece, ajudando a manter o condicionamento.
10:02h O ponto mais alto do dia é atingido rapidamente. Névoa espessa. Pelo menos não há sinal de chuva. Última olhada para trás, agora é a longa descida até as imediações de Mirantão.
10:05h Descida não é tudo igual. Pode parecer tudo igual para quem não vive a descida em cima de uma bicicleta todo terreno. A vida fica em suspenso naquela tensão entre a força da gravidade e a sua capacidade de manter os pneus próximos daquela linha imaginária que você acredita ser a margem de segurança. E tome curva em desnível, poça d’água e pedras grandes perdidas pelo meio do caminho. E que caminho!
10:48h Mirantão aparenta ainda dormir tranqüila quando cruzamos a ponte que marca sua entrada. Parece que acabou de chover. Logo procuramos a casa do amigo Alexandre para abraços e conversas. Aproveitamos para pegar indicações de onde ir. Acabamos optando pela Cachoeira da Prata.
11:05h A estrada molhada e sem trânsito espera por nós. O vento gelado traz a tranqüilidade que procurávamos e o sol permanece escondido. Para não fugir ao costume, qual o caminho para a cachoeira? Subida, claro!
11:40h A Cachoeira da Prata é um complexo de pelo menos 4 grandes quedas e muitas outras corredeiras, encravadas no quintal de dona Palmira, a matrona mineira guardiã das águas da prata. Deixamos as bicicletas encostadas e penetramos o caminho das águas.
11:45h Surpreendemo-nos quando o chão de pedra fica ultra molhado e surge um corrimão de corda para auxiliar o acesso praticamente dentro da corredeira. Vamos descendo com cuidado aquele sebo e logo nos deparamos com o primeiro poço.
11:55h O lugar é um emaranhado de poços e quedas dágua, ligadas por trilhas molhadas e com raízes expostas. As árvores são habitadas tronco acima por outros e incontáveis tipos de plantas e fungos, numa profusão de folhas de todos os tamanhos e formatos, como jardins suspensos, na maioria das vezes até grandes alturas. Devido à época do ano, a floração era escassa.
12:30h Após perambular entre diversos recantos e cachoeiras, resolvemos subir para recuperar as bicicletas e procurar um lugar para comer. Conversando com dona Palmira, ela nos ofereceu a refeição de sua pensão, que estava pronta e já servida. Dona Palmira tinha hóspedes, mas que haviam saído e estavam atrasados para o almoço. Sorte nossa.
12:42h Uma longa mesa nos esperava com grande fartura e variedade. A truta plantada e colhida em tanques da propriedade é o orgulho da cozinha palmirense. Era só o carro-chefe, pois as batatas-doce, o pepino, o feijão e até o bacon certamente vinham dali mesmo, igualmente dignos de orgulho e do sabor incomparável. Na cozinha de dona Palmira só há um lixo, não há necessidade de separação. É tudo orgânico. Não há embalagens plásticas, só há cascas de frutas e verduras , ovos, miolos de pimentão e outros. Vai tudo como lavagem para os porcos, peixes, galinhas ou diretamente de volta para a terra. E como cozinha bem!
13:40h Despedimo-nos de tudo e de todos quase com lágrimas nos olhos. Deixamos para trás novos amigos, belezas naturais e o frio do alto da serra. Trouxemos conosco belas lembranças e a vontade de retornar em breve. Foi o mais próximo que chegamos do paraíso. A volta é feita sem percalços e com calma para apreciar os encantos da natureza. Horário de chegada na base: 16h.


















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