44>Gerão do Campo>15.05.09 Agosto 6, 2009
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Ficha Técnica
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Localidade: Sto. Ant. do Rio Grande | Bocaina de Minas – MG
Data: 15 de maio de 2009
Distância Total: 36km em 5 horas
Reabastecimento d’água: não
Sinal de Celular: não
Tipos de via:
-estrada de terra vicinal: 48%
-trilha em campo: 32%
-trilha em mata: 20%
Navegação: difícil
Nível de Dificuldade: difícil
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A estada em Santo Antônio é sempre agradável. Em primeiro lugar por causa da companhia. Em segundo por causa do clima. Mesmo sendo úmido, frio e chuvoso de noite, sabe nascer luminoso e radiante, convidando para o reconhecimento dos arredores.
10h – Saída da base, a 3km de Santo Antônio do Rio Grande. A primeira passagem seria pela vila. Esta distância, com suas descidas e subidas, é vencida como agradável aquecimento para o primeiro deslocamento do dia. Distantes dali 9km, os encantos do Vale do Paiol nos aguardavam.
10:23h – Então passamos direto pela vila, acessando com cautela suas ruas, pacatas e tortas. A curta e urbanizada subida de pedra logo precipita-se numa rápida e inclinada descida de terra à direita, marcando com adrenalina o limite da vila e o início daquela nova etapa do trajeto.
10:45h – O amigo mostra o caminho e o tempo nublado dá lugar ao sol. Ele informa que aquele seria um dia de leve precipitação e ampla variação de temperatura. Logo abandonamos a estradinha, abrimos – e fechamos – as últimas tronqueiras naquela parte do vale. Chegamos ao bosque que dá acesso ao poço. Pedras e árvores voltam a tomar o lugar na beirada da trilha e o barulho da água parece ficar cada vez mais mais próximo.
11:10h – O mergulho gelado naquele meio de dia acende as forças e ajuda a deixar as idéias mais claras. Lá em cima da serra dois grandes cursos d’água despejam com generosidade seu conteúdo. Esta é a água que desce da encosta à esquerda. Os planos incluem acessar o alto da serra, entre as duas cachoeiras. Mas para que isso ocorra é preciso alguma colaboração do tempo. Contudo o tímido sol mal é capaz de secar nossos corpos. Um lanche rápido é muito bem-vindo.
11:30h – O amigo se oferece para guiar ainda um pouco mais encosta acima e vai. Sigo apressado seu traçado. Abandonamos aquele primeiro oásis ziguezagueando atrás da trilha que serpenteia pelo pasto entre grandes pedras e cercas dos currais. Ultrapassamos novamente as tronqueiras e entramos novamente na estrada, seguindo à esquerda. O tempo cerra-se à nossa frente.
11:48h – Encaramos com vigor a barreira de umidade enquanto as duas cachoeiras, agora mais próximas, oferecem com força suas águas. Duas línguas brancas de espuma que riscam as enormes pedras que formam as paredes daquele canto do Vale do Paiol.
12:10h – Mais fotos e o amigo se despede debaixo de leve garoa, deixando-me a indicação para ir ao lugar chamado Caminho dos Franceses. Subo a íngreme trilha serra acima pedalando até onde dá.
12:30h – Visto a capa de chuva. Tudo está molhado. Logo as pedras soltas e valetas somente permitem que eu leve a bicicleta empurrando. O sol volta a medir forças com a cerração e esta lentamente cede. Vou subindo. Alguma exploração pela direita logo revela um bom ponto de observação.
13:06h – A chuva cessa, o que permite que eu guarde a capa de chuva e faça algumas fotos. A vista é bela, porém tenho que seguir meu caminho. Logo ultrapasso uma porteira de madeira seguida por uma delicada ponte sobre o córrego que corta o caminho. Vou vencendo estes obstáculos com a paciência de quem sabe que a subida está apenas começando…
13:38h – A floresta se fecha sobre a antiga estadinha. E tome subida. Curvas tortuosas acotovelam-se umas por cima das outras e fazem com que a vila apareça ora pela direita, ora pela esquerda. E cada vez mais longe, sumindo no azul do fundo da baixada.
14:22h – Chega mais uma chuva e a subida continua. Pouquíssimas casas, fechadas. Subida. Em algum ponto no alto da serra existe uma bifurcação. À direita, no que parece ser uma descida, o Caminho dos Franceses. Avanço um pouco. Retorno. À esquerda, o desconhecido, talvez o caminho para Alagoa. Avanço um pouco. Atingindo os 1600m eu paro e encontro abrigo debaixo de umas árvores. O frio é intenso e a fome aperta. Faço uma fogueira e aproveito para descansar. Minha ascensão findava ali.
15:00h – Numa estiada da garoa, recolho o equipamento e procuro o caminho da volta, uma longa e acidentada descida que exige muito de freios e de braços. Para encarar este terreno molhado toda a cautela é pouco. O céu escurece. A chuva fina volta congelando até os ossos.
15:18h - Quando abandono a zona nublada um morador aparece na janela de uma das pouquíssimas casas. Paro para conversar. Ele me conta o nome daquele local: Gerão do Campo. Depois venho a saber que é o nome de uma cobra que infestava aqueles ermos, mas que hoje raramente é vista. Agradeço, despeço-me e desço pensando se isso é bom ou ruim. Logo a visão das duas cachoeiras e a beleza das matas traz meu pensamento de volta para a pilotagem. Retomo a estrada para a vila e dali o caminho até a base.
Poupando energia e equipamento, o pedal estava encerrado por volta das 16h. Hora de alimentação e descanso. Os próximos dias seriam longos…


























