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58>Serra Verde-Campo Queimado>15.06.13 outubro 16, 2013

Posted by bttgeraes in Sem categoria.
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Ficha técnica:

Localidade: Bocaina de MInas– Minas Gerais – Brasil
Data: 15 de junho de 2013
Distância Total: 49km
Reabastecimento d’água: não
Sinal de Celular: não
Tipos de via:
– estrada de terra : 5%
– estrada de terra vicinal: 95%
Navegação: difícil
Nível de Dificuldade: alto

Os dias passados no campo são aqueles para descansar a cabeça e fazer girar as pernas. O combinado era 9h, mas a noite escura trouxe um sonho tão bom…

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10h A saída é tranquila, e o caminho até a vila um belo aquecimento, já que o sol também demorou a se levantar naquele sábado, quase pedindo licença para a neblina matinal. Vem a guinada pela direita, para baixo, inclinada e rápida. Logo as primeiras subidas dão sabor ao dia. Pedras soltas e curvas fechadas. Buscando a linha mais eficiente, o momento é de silêncio e atenção. Somente o barulho dos pneus nas rochas e o canto dos insetos embala a cadência dos pedais.

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11:30h Rompendo rapidamente a altura das nuvens, entramos na zona de frio. A passagem pela cachoeira 5 Estrelas é breve. Não é fácil chegar até ali, então a queda d’água merece uma olhada de perto. O caminho é para cima.

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12h Atingindo a Serra Verde, uma chegadinha rápida no posto avançado. Ainda não seria desta vez a hospedagem, porém só a visita já vale muito. As árvores trocando as folhas, o verde renascendo… silêncio, paz, tranquilidade.

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13h Virada à direita antes da Virve, em direção à Pousada do Elói, um belo recanto encravado naqueles frios morros. A terra, vermelha e pegajosa, alterna constantemente para veios brancos com cascalho solto. Poucos pássaros, raros insetos.

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13:40h Visitar lugares onde há muito tempo não se vai. Isto causa estranhos sentimentos. A natureza emoldura paisagens familiares, mas que até então estavam na memória. Porém a memória esmaece, desbota, muda, perde o viço. A vida real tem mais cheiro, cor, temperatura. Desta vez a saída é pela esquerda, quando a terra passa a ser amarela.

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14h E giram os pedais. Novamente num dos pontos mais altos, a neblina toma conta. Aquele tabuleiro de carrasco no topo é extenso o suficiente para aprisionar o frio intenso, mesmo àquela hora do dia. A visibilidade se torna incrivelmente baixa. O ambiente é diferenciado, e a temperatura cai progressivamente enquanto subimos.

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14:28h Atravessamos até o outro extremo do tabuleiro, antes da última descida que leva até o Elói. O que deveria ser um almoço se resume a engolir os biscoitos restantes com alguma água. O frio aperta e procuramos nossas próprias marcas no solo pedregoso, por dentro do nevoeiro.

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14:45h De volta à terra amarela, as descidas são alucinantes. Cascalho solto e trechos de areia grossa. Rapidamente saímos da fria sombra das nuvens e regressamos aos domínios de um sol preguiçoso, tímido. Por pouco tempo. Rumamos para o Campo Queimado.

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15:20h Cenários de floresta fria de altitude, terra branca, arenosa, cinzenta. Teto de folhas, um pouco de garoa de lado e o Campo Queimado aparece. O barulho do vento e o frio cortante, característicos dos campos de altitude, nos recebem de forma austera e impessoal.

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15:56h Por entre as montanhas podemos ver que o sol ilumina, lá embaixo, a vila. A volta pelo Gerão do Campo está simplesmente nos esperando. Com seus cotovelos fechados e valetas cheias de pedras e degraus. Mas também com as rápidas e estreitas passagens no pé dos barrancos, pequenos saltos, muita velocidade e adrenalina.

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16:22h A paisagem muda depressa. Deixamos para trás o ambiente frio e cinzento para alcançar a luz e o calor terno do sol, que finalmente volta a tocar profundamente a pele. O vento diminui. A estrada amansa a descida. A terra preta e vermelha nos mostra que o Paiol está chegando com suas casinhas, roças, mata-burros e o Rio Grande, fluindo serenamente.

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16:56h Calor, mas sem poeira. Após mais uma longa e agradável jornada, hora de descansar as pernas e os cavalos de alumínio. Na praça, assistindo a neblina descer do alto dos morros, vivendo de forma intensa porém serenamente, aproveitamos o final de tarde na Serra da Mantiqueira. Amanhã tem mais.

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Agradecimentos especiais aos santos: Tomás que emprestou a base; Tiago, que guiou e puxou num ritmo forte o tempo todo; André, que nos autorizou a entrada nos terrenos, no alto da Serra. E a Santo Antônio pelos dias de sol, frio e paz nas montanhas, perto do céu…