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03>Campos de Fora>12.10.05 maio 20, 2006

Posted by bttgeraes in 1.
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Ficha Técnica

Localidade: Catas Altas – MG
Data: 12 de Outubro de 2005
Distância Total: 18km, em 4:30 horas
Reabastecimento d’água: sim
Sinal de Celular: não
Tipos de via:
-estrada de terra: 8%
-trilha em campo: 46%
-trilha em mata: 46%
Navegação: difícil
Nível de Dificuldade: difícil
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Pelos Campos de Fora

Em Catas Altas começa mais um dia claro no veranico de outubro. 4 Btts seguem para o Santuário. Dentro dos dois carros é fácil perceber o trato silencioso de comparecer ao Caraça enquanto a estação seca durar. Eram 9:30h da manhã quando cruzamos o portão de entrada da RPPN, a subida de asfalto cria o clima de mais um dia de diversão, aventura, esforço físico e muito, mas muito sol.

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9h50 Banho do Imperador: Carros estacionados entre árvores e BTTs prontas para girar. Com energia de sobra, partimos para o tradicional aquecimento em direção ao Banho do Belchior. O acesso usado é constituído por dois lindos trechos de trilha, intercalados por alguns metros de estrada de terra. Cruzamos os “Pinheiros” e logo a via desemboca em uma das nascentes frias da parte baixa do vale. Ali, após rápida sessão de alongamentos, entramos definitivamente no clima das serras.

10h20 Banho do Belchior: É hora de deixar a água, e durante esse bate-volta do Belchior temos uma amostra do que vem pela frente: trilhas cercadas de árvores, pisos variando de ótima aderência para quase nenhuma e curvas emocionantes. E é só o aperitivo.

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10h30 O clima leve na volta do Belchior não dura muito. De volta ao trecho de estradinha, viramos em quase 360º na bifurcação e a longa subida aos campos de altitude começa agora. Não tem como fugir, são 3 km, aproximadamente, partindo dos 1.300 até os 1500m. Uma estrada vicinal, irregular, abandonada pelos guardas da RPPN e pelos turistas, com apenas um atenuante: sombra. Até o ar é mais fresco no meio da Mata Atlântica densa e intocada. A coroa do meio até resiste, mas a coroinha, depois de 1,5 km subindo, é uma opção. E dá-lhe morro, em curva, reta, curva, reta, curva, curva e curva. O terreno é incrivelmente variado, às vezes tão liso que acreditem, o BTT pode cair, subindo. Mas não é um single-track, a via é quase tão larga quanto uma estradinha e os dois maiores desafios aqui são a aderência e a inclinação, que aumenta bruscamente. Se você tem o objetivo de “zerar” tudo e só parar lá em cima, trate de apertar esse guidon, contrair a barriga e socar! Mas tudo bem, pode curtir a vegetação mágica, os pássaros variados e se der sorte um bando de macacos Guigós berrando bem ao seu lado.
Alguns trechos menos inclinados são um alívio para pernas e pulmões e indicam o fim da parte mais dura. A “estrada” aperta, a mata se fecha, agora um trecho de trilha, cipós e folhas raspam nos braços, quase um túnel verde, até que tudo se abre.

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11h00 O horizonte reaparece enfim. Podemos até descansar um pouco, afinal pagamos o preço e a transição está feita: sejam bem-vindos aos Campos de Fora!

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11h20 A visão é ampla, a vegetação rasteira permite identificar os cursos d’água e as cristas mais altas, que são referências sólidas para a navegação. O trecho inicial desse cross-country autêntico cheira à técnica e adrenalina. A trilha já está bem cavada e seca e dá pra perceber que a chuva é drenada pela via: degraus, erosões, raízes expostas e claro, veios de quartizito. Nos próximos minutos é normal que você desligue do visual em volta e aproveite seu equipamento, afinal estamos em um suave declive com vários desafios. Dois curtos trechos de empurra quebram o ritmo e fazem os 4 se juntarem novamente. Seguimos pela mesma trilha batida que agora corta suave os campos cada vez mais abertos, cercados de cristas ainda mais altas. Logo, a nascente principal de toda essa paisagem já é visível.

12h00 A descida praticamente nos guia até a água; está fácil manter a BTT dentro da trilha e aproveitar, afinal, não tem ninguém por aqui. Descanso na cachoeira.

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Nos Campos há várias conexões possíveis: 3 picos com alturas em torno de 2.000m, pequenos capões de mata fechada, uma linda cachoeira, uma travessia secreta ou, apenas curtir a água e pegar um bronze. O trekking e o BTT são opções, mas tenham cuidado, as abelhas e cobras têm sido frequentes por aqui. E lembre-se, em caso de emergência, gasta-se no mínimo 1 hora até um carro ou telefone. Nesse dia o grupo gastou 2 horas entre localizar um acesso de travessia e um atrativo “mistério” da história de 300 anos do Caraça.

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14h00 Era hora de voltar refazendo o cross-country, bem menos prazeroso por sinal, já que a brincadeira de “zerar” descendo, agora é empurra pra cima sem discussão. Hora propícia para fotos da flora local e das serras até a entrada da mata.

14h20 Estamos de volta ao início da Mata Atlântica onde fazemos a última parada nos Campos.

14h30 Hora de dar o troco. Todo o esforço da manhã para vencer o up-hill até os 1500m, agora é recompensado pelo puro deleite morro-abaixo. Voando baixo dentro da mata por 3km, com 3 comparsas na sua cola, decidi abrir mão da contemplação. A diversão é extrema onde dois BTTs podem permanecer lado a lado, por alguns minutos, descendo e enfrentando raízes, galhos, bambus, pedras e trechos muito lisos de terra batida.

Como não existe trânsito aqui, a estradinha é dividida ao meio por uma faixa contínua de vegetação rasteira, criando duas “trilhas” paralelas. Pura adrenalina! Em alguns trechos a vegetação quase cobre a via, depois enralece, até desaparecer para deixar seus pneus em contato direto com o chão liso, socado e escorregadio.

14h43 Foram 13 minutos de uso intenso da suspensão, freios, quadro, braços e olhos. Após a rota descendente dos Campos a via do Belchior reaparece e nos leva para mais uma perna de trilha. Bikes e corações desaceleram, e ao atravessarmos a ponte do Bode, apenas 100 metros nos separam dos carros. Difícil é olhar nos olhos do outro e não abrir um sorriso.

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BTTGeraes…….o>”o

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Comentários»

1. Diogo BMC - maio 21, 2006

Este é um dos melhores relatos.

2. Thomaz Lage - abril 10, 2007

Graaaaandes BTTikers!!!
Passei semana passada por aqui e peguei as coordenadas da Campos de Fora, rachei pro Caraça com um primo, e foi pura satisfação e adrenalina!!
Micro-clima fechado, garoa fina molhando o piso de pedras e lodo da grande subida da mata densa.. ralação, punkera, mas morro abaixo nem se fala, maravilha!!
Valeu moçada, e parabéns pela divulgação de informações estratégicas pros amantes do btt!!!
Abrazo!!!


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