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18>Tinguá>05.08.06 agosto 21, 2006

Posted by bttgeraes in 1.
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Ficha Técnica:

Localidade: Barbacena – MG
Data: 05 de agosto de 2006
Distância Total: 57km em 9h
Reabastecimento d’água: sim
Sinal de Celular: fraco
Tipos de via:
-estrada de asfalto: 20%
-estrada de terra: 25%
-trilha em campo: 40%
-trilha em mata: 15%
Navegação: avançado
Nível de Dificuldade: avançado
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Uma visão do Tinguá

A saída da fazenda era um aclive acentuado de areia branca e terra. Um largo estradão de sílica triturada que os 27 cicilistas ajudaram a moer com seus pneus, prontos e ansiosos pelas as trilhas que viriam.

Na primeira parada/reunião, no portão, fomos contados e confirmados: eram 27 bicicletas equipadas cada uma com uma pessoa. Eram 27 personalidades, cada uma com uma expectativa diferente do que viria pela frente.

Saindo pelo asfalto logo entramos em algum buraco na beirada da estrada de asfalto cruzamos algumas porteiras e mataburros. Alguns pastos e muitas subidas depois, passamos por um trecho onde cortamos longas valas e singoltreques cheios de pedras. Eram pequenos trechos, atalhos no meio do mato, em terrenos alheios com alguns declives repentinos cheios de pedra e entulho, tudo pronto para agredir a bicicleta. Excesso de disposição não ajuda nada nessa hora. Uma pilotagem segura proporciona a agradabilíssima experiência de vencer estes obstáculos. Somente este trecho proporcionou ao grupo- se não me engano – 4 pneus furados.

Alternando trechos em asfalto, trilhas e estradas de terra, logo cobrimos os 22km iniciais que nos levaram até o ponto de encontro com o segundo grupo. No bar às margens da estrada, 6 pessoas se juntaram à turma. Muita energia no ar. Como cavalos ferrados no asfalto, ciclistas ciscavam o chão com seus taquinhos, ansiosos para partir. Os “novatos” se aqueciam, certamente apreensivos pelas emoções que os esperavam. Eles experimentariam o filé, a cobertura do bolo, a parte nobre do quitute. Eles fariam uma versão encurtada do passeio. Desceríamos o Tinguá. Mas antes tínhamos que subir. Descontando a única baixa, representada pelo soldado Thiago, abalroado pela própria bicicleta, agora o grupo compunha-se de 32 pessoas contadas e recontadas a cada parada mais longa, seguindo para o Tinguá.

Desta vez descemos um pouco a BR040 pelo acostamento, trafegando na mão de direção. Numa certa curva para a direita, logo que acabava a mureta central, cruzamos a rodovia para a esquerda e entramos no que parecia uma picada. Cruzando várias porteiras abertas e devidamente fechadas, subidas ultra-técnicas e até por um incauto grupo de motocicletas, nos aproximávamos do tão falado Tinguá, mas antes tínhamos que vencer a subidas. Trechos de singoltreque ora no pasto ora na mata levavam os mais experientes ao delírio, mas castigava os menos preparados. O visual nesta etapa da viagem compõe-se de pastos verdejantes e alguns trechos de mata, com alguns aclives e declives bem técnicos e acentuados.

Com um grupo tão grande a comunicação era difícil. Mesmo sem a ajuda dos radinhos (pedala e fala) o padrinho Viol e seus ajudantes guiaram todos maestralmente através de dezenas de bifurcações, muitas trifurcações e inumeráveis desvios… e ninguém se perdeu! A segura condução dos guias possibilitou até uma grata surpresa: 4 ciclistas aproveitaram a indicação do Tatuí, acompanhada pela aprovação do morador do local – uma pequena cabeça que acenou numa janelinha da já pequena casinha, seguida de um polegar apontado prá cima – e tiveram a chance de conhecer uma queda dágua, que mesmo nessa época de seca geral apresentava notável volume. Um pequeno refresco para o calor, atrás de um imenso bambuzal e de um enlameado curral.

quedagua1.jpg

Infindáveis subidas depois, o grupo seguia firme. Não tão compacto, mas em cada parada 32 vozes cantavam a ladainha. O Tinguá ficava mais perto. Cada ciclista, à sua maneira, ia se aproximando de seus limites. O que significava difícil escalada para uns, para outros era apenas treino puxado, e para a maioria era diversão. Depois de mais um belo singoltreque em aclive acentuado, na mata, o céu se descortinou. Estávamos no alto do Tinguá. Um a um os ciclistas iam largando suas bicicletas pelo mato.

alto.jpg

alto02.jpg

Visão recompensadora. Eram ainda 15h e o sol estava distante do horizonte. Fotos, descanso, alongamentos. A descida nos esperava. Seriam 4,7km em um desnível de quase 600m com bastante emoção para os primeiros, alguma poeira para os intermediários e de muitos obstáculos na opinião dos últimos.

alto03.jpg

tinguah.jpg

Curvas fechadas e grande desnível nas encostas. Por várias vezes cair para a direita seria fatal. Muita concentração e força nos braços. Hora de exercitar a ponta dos dedos e testar a suspensão. Quem não tem suspensão dianteira aprende na marra que bicicleta não é só perna. Tem que ter braço tb. E freios.

A descida se abranda aos pés da serra e praticamente no quintal de uma bela sede.

fuga.jpg

Vencido o desnível, na sombra de uma mangueira, descanso merecido para braços e corações.

mangueira.jpg

O padrinho esperava pacientemente cada ciclista errar o caminho no pasto e gritava “Esquerda!” para testar suas habilidades. O grupo que já havia alcançado a mangueira, aos berros, incentivava os mais corajosos a desenharem uma alternativa pelo pasto. Os que se arriscavam logo descobriam um regato correndo por sob a folhagem, e a maioria conseguiu zerar, alguns até sem molhar os pneus. Também foi a hora de conversas e avaliação nos estragos do equipamento: cotovelos arranhados, tornozelos fadigados, aros empenados e muita canseira. O desnível que percorremos deu-nos a impressão de que o sol baixava rápido no horizonte. Era preciso seguir em frente pois o gupo estava disperso e distância não era pequena.

errandonopasto.jpg

Enganou-se quem achou que a diversão havia acabado. Estávamos chegando numa das mais belas partes do caminho. Agora fugíamos do vale pelo fundo de diversas fazendas. Incríveis songoltreques na encosta dos morros, muitos cupinzeiros para contornar, inúmeras opções de passagem. Nota dez para o capote do Rafael Bimbim, ele sabe do que eu estou falando. Rolar montanha abaixo daquele jeito não é para qualquer um, e nos faz lembrar a infância. Aquele pasto é mesmo um “parque de diversões”. Mas a volta não era só alegria, pois incluía muitas subidas e a noite se anunciava.

fecha.jpg

A reentrada na estrada se deu por volta das 17h. O grupo estava muito dividido. Os mais experientes na frente e os novatos tentando acompanhar, cada um dentro de suas possibilidades. Para muitos, resgatados, a pedalada terminava ali. Ao pequeno grupo de guerrereiros que continuava no pedal, o Mirante do Leitão possibilitou algum descanso. O frio chegava, e com ele a noite. Os ciclistas deixaram o Mirante do Leitão em direção à fazenda já com as lanternas prontas, enquanto o lusco-fusco da tarde misturava as cores da paisagem. Seriam 13km de volta pelo asfalto, boa parte de subida. Mas o horário colaborou e a estrada, normalmente muito movimentada, estava quase deserta.

A escuridão só não era total pois os pequenos faróis insistiam em iluminar o caminho. De pernas cansadas e funcionando praticamente “no automático”, os últimos aventureiros se aproximavam da fazenda. Minha passagem pelo grande portão de ferro se deu por volta das 19h, e agora apenas o caminho branco de cascalho e sílica me separava do ponto de partida. Um bom banho me esperava, a carne já estava assando e o churrasco de confraternização prometia muitas gargalhadas.

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Comentários»

1. Vinícius - agosto 24, 2006

Sensacional o relato!
Bom demais relembrar a trilha do Tinguá!

Aquele morro é um dos lugares mais bonitos que ja estive até hoje!

Abraços!

2. João Paulo Jorge Santos - agosto 25, 2006

Bem, eu não estava nessa daí, mas digo que a cada linha lida senti um pouco das emoções que vários de vocês sentiram. Atualmente estou com minha bike na sombra, mas to planejando voltar a ativa e se tudo der bem certo poder estar fazendo parte dos relatos dessa turma. Quanto ao site, só tenho a dizer que é perfeito, muito inteligente e completo, a meneira de como são postados as informações sobre as localidades (ficha técnica) ajuda bem aos próximos bikers a terem noção da situação a ser enfrentada e aqueles que apenas q querem fazer uma visita mais tranuila. Ao meus Grandes Amigos Guilherme e Penido vai um abração. E aos demais fica um olá. Bike no coração e pedal na tração!!!

3. Daniel Viol - agosto 31, 2006

Pô, o relato ficou muito legal. Por mais que eu tenha feito essa trilha várias vezes (acredito + de 20) eu não me canço de repetí-la, pois sempre que posso apresentá-la aos amigos que ainda não a conhece, surge uma emoção diferente. Valeu d+ esse passeio

4. o autor - março 23, 2007

Dia 17 de março de 207 tomei um capote justamente na primeira parte (de 22 km).
E olha que eu já tinha escrito:

“Eram pequenos trechos, atalhos no meio do mato, em terrenos alheios com alguns declives repentinos cheios de pedra e entulho, tudo pronto para agredir a bicicleta. Excesso de disposição não ajuda nada nessa hora.”

Detonei a coroa, quase pt.
Quem viu, viu.

: (

5. raissa dos santos freitas martins - novembro 15, 2007

Quero saber alguns sítios em Tinguá!!

6. Camila - janeiro 5, 2009

Eu e alguns amigos já estamos acostumados/as as fazer Trilhas e
Travessias, porem gostaria de sua ajuda para saber onde se inicia a
trilha para o Castelos do Tingua?
Poderiam nos dar uma dica?

7. Patricia - novembro 11, 2009

ela vai para ai ?


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