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23>Variante Leste>02.11.06 novembro 12, 2006

Posted by bttgeraes in 1.
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Ficha técnica:

Localidade: não divulgada – MG
Data: 02 de novembro de 2006
Distância Total: 21km em 7h
Reabastecimento d’água: sim
Sinal de Celular: fraco
Tipos de via:
– estrada de terra: 25%
– estrada de terra vicinal: 46%
– trilha em campo: 14%
– trilha em mata: 15%
Navegação: difícil
Nível de Dificuldade: difícil

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Tudo começou há alguns anos. Mas não da mesma forma para todos. O que parecia apenas lazer para uns, para outros era o caminho para a concretização de um sonho. Este foi um ataque quase clínico à face Sul da Serra do Espinhaço. Apesar da minuciosa preparação e da reunião pré-ataque, era a primeira vez de todos juntos. Os preparativos foram desiguais. Tudo convergia para a realização de um projeto maior. O cerco estava se fechando. Estaríamos preparados para esquadrinhar e desvendar in loco aquele pedaço do mapa? Esta história é para aqueles que souberam unir a necessidade de sentir-se vivo a uma derterminada atividade esportiva.
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EM BUSCA DA VARIANTE LESTE

A chegada na base foi em boa hora. Carros estacionados e equipamento em ordem, a saída se deu antes das temidas 11h. Cada um saiu no seu tempo e o primeiro encontro dos cinco foi na pinguela, onde pudemos experimentar um leve aquecimento na temperatura do sangue-frio.

pinguela.jpg

O nosso caminho não era ali, aquilo foi apenas um teste de habilidade. A essa hora quase chovia mas o ambiente começava a se iluminar. O sol impunha sua força, vencendo o cinza reinante no céu. Tudo começou realmente após a pequena ponte de cimento que nos separava da primeira grande subida. Os habitantes locais nos davam mostra de sua desconfiada receptividade. Evitando as chifradas, cruzamos pela primeira vez o rio principal e giramos ladeira acima.

pontenorio.jpg

As subidas naturalmente castigaram nossas pernas. O céu nublado acima e a lama abaixo de nós faziam tudo parecer mais pesado, porém a companhia dos amigos dissipava qualquer apreensão. A lama continuava a pregar nos pneus com força e enxergávamos claramente a precipitação à nossa frente, mas os ventos pareciam querer limpar nosso caminho pela montanha, empurrando a chuva para longe. O sol dava mostras de querer aparecer.

ladeira.jpg

Quase calados fizemos a primeira grande ascensão, procurando a passagem mais seca por entre as pedras e a lama. Algumas porteiras e muitos córregos depois, decidimos parar e decidir para onde ir naquela primeira parte do ataque. Decidimos buscar a cachoeira, rumando então para norte.

opcoes.jpg

O terreno fica mais plano. A terra vermelha cede lugar à areia fina e estamos de novo próximos ao rio. A cachoeira, um fiapo de água que se precipita num vão negativo de aproximadamente 140 metros de quartzito, brilha no fundo da grande parede que protege aquele lado do vale, ficando um pouco mais próxima a cada giro dos pedais.

areinha.jpg

A aproximação é rápida e precisa. Logo adentramos a mata e o terreno fica muito acidentado. Caso o sol estivesse brilhando com força total, estaríamos na sombra. A estrada praticamente acaba. As chuvas daqueles dias encheram de vida os córregos da região. Cruzamos o rio mais uma vez, desta vez num ponto de terreno muito acidentado. Ali passam apenas animais silvestres, algumas raras pessoas e uns poucos cavalos corajosos. Não é à toa que foram encontradas ferraduras dentro d’água. As pedras castigam os que se arriscam a andar por ali.

cruzando-o-rio-05098.jpg

ferraduras-2240.jpg

Desta vez é a trilha que acaba, mas continuamos atacando. Confiando na navegação de nossa bússola, largamos as btts na pirambeira em que nos encontrávamos e seguimos, agora pisando nas folhas amarelas. Sem demora alcançamos a clareira na mata que indicava a direção. O barulho da água também ajudava. Estávamos próximos.

proximos.jpg

A cachoeira era um fiapo d´água escorrendo tímido pela fresta da montanha. Pela primeira vez as nuvens se dissolveram nobre nossas cabeças, deixando aparecer o que tanto queríamos ver: um belo céu azul. O sol chegou com força total. A água não chega exatamente unida ao poço. A cachoeira parecia um cabelinho líquido que se desfazia no ar. O vento, a grande altura e agora o sol se encarregavam de separar as gotas.

cach-cabelim-2205.jpg

Isso criava a chuva permanente que ia molhando tudo de maneira quase uniforme, alimentando a verdejante mata que rodeava o poço. Éramos os únicos a presenciar a mudanças no fluxo da cachoeira. O cabelinho d’água que encontramos ao chegar às vezes encorpava e se transformava numa queda vigorosa, mas que ainda assim continuava quase não chegando onde estávamos.

pan.jpg

pan_2.jpg img_2238.jpg

O tempo passa rápido nessas horas, e logo abandonamos aquele pedaço do céu na terra. Não mais nos preocupávamos com a chuva, pois o vento e o sol eram nossos aliados. Retornanos ao ponto onde paramos da primeira vez e dali decidimos rumar sentido leste. Quem sabe não fazíamos a ligação daqueles caminhos com o outro lado da montanha? Alcançar o grande platô do Espinhaço… Mas antes disso tínhamos que pagar o preço. O calor do sol tentava secar o ambiente e os atletas experimentavam esforço extremo de subir ladeiras aparentemente intermináveis, enquanto a lama continuava seu trabalho de desgaste nas relações. Porém o mais importante não é nada disso. O mais importante é o prazer de estar ali, dando o máximo de si no final, sentindo o ar frio encher os pulmões, mandando energia para as pernas, sujas porém incansáveis.

dois.jpg

Logo que atingimos um trecho de sombra, paramos para confabular. A densa mata impedia que avaliássemos visualmente as possibilidades de atingir o topo. Enquanto a maioria aproveitava o momento na sombra para baixar os batimentos, o incansável Xandão optou por fazer um reconhecimento solo. Subiu sozinho pelo silgoltreque enlameado enquanto tentávamos, através do mapa, entender onde estávamos.

Dentro de alguns minutos nosso soldado voltou dizendo ter encontrado não a passagem para os campos ou o acesso ao platô, mas uma clareira onde poderíamos encerrar com louvor aquela investida. Subimos patinando atrás do nosso novo guia pela valeta feita de lama, forrada com folhas provenientes da úmida mata que tudo cobria.

curral.jpg

O velho curral era num pequeno gramado. Era só o cocho e a grama, um casebre de bambu e a cerca que cortava o terreno. Tudo isto num flanco de montanha, voltado para o sol da tarde. Tarde quente e úmida como devem ser as tardes nesta época do ano. Era tudo que precisávamos. Encostamos as btts na cerca e nos largamos pela grama, ignorantes dos carrapatos que ali residiam. Entre fotos e conversas, consumimos os últimos lanches aproveitando o sol.

os-5-no-sol-02-2254.jpg

btts-na-cerca.jpg

A volta foi uma sequência alucinante de descidas técnicas por variados tipos de terreno. Os córregos pelos quais cruzamos com cautela na subida eram agora cortados a toda velocidade, quase decolando. Cinco btts despencando quase sem freios pela longa trilha num desnível de mais de 300 metros, buscando atingir a base. A passagem pela ponte de cimento fechou a empreitada e chegamos na base junto com a noite. Alma lavada e baterias recarregadas para mais algumas semanas de trabalho na cidade. Qual será o próximo ataque?

na-venda-05164.jpg

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Comentários»

1. Marcos - maio 10, 2008

Belíssimas fotos, lugares e narrativas.
Só falta a trilha em si.
Seja planilha ou arquivo GPS.

2. bttgeraes - junho 23, 2008

Prezado, a proposta do sítio não é entregar os roteiros para os leitores.
Caso deseje conhecer mais sobre a localidade, mantenha contato.
Quem sabe um dia não subimos juntos aquela “Variante Leste”?


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