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28>Casa das Pedras>02.02.07 março 13, 2007

Posted by bttgeraes in Sem categoria.
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Ficha técnica:

Localidade: Niterói, RJ
Data: 02 de fevereiro de 2007
Distância Total: 38km em 6h
Reabastecimento d’água: não
Sinal de Celular: fraco
Tipos de via:
– estrada de asfalto: 60%
– estrada de terra vicinal: 5%
– trilha em mata: 35%
Navegação: médio
Nível de Dificuldade: alto
………………………………………………………………………………………

O período de férias chegava ao fim, mas a aventura não havia terminado. Seguindo pela estrada em direção à praia de Itaipu, enfrentei a ira e a fúria dos motoristas fluminenses e cariocas. Parece que o sol derrete os miolos das pessoas, fazendo com que as leis de trânsito fiquem em segundo plano. Depois de desviar de muitas barbeiragens e pedalar 12km de asfalto coberto por fina camada de areia, chego a Itaipu, uma praia que fica do outro lado do canal, separada da praia de Camboinhas. Procurei pelo Museu Arqueológico de Itaipu mas ele estava fechado para reformas. Como não queria perder a viagem, resolvi me embrenhar pelas ruelas ao pé das montanhas rochosas, que em toda a Região Oceânica dominam a paisagem.

abre-05658.jpg

Passando por São Sebastião de Itaipu percorro na Rua da Amizade até o Morro das Andorinhas. Sigo, a uma pequena distância, dois ciclistas locais. Parece-me uma boa tática para descobrir novos caminhos. De repente um dos ciclistas entra numa casa e desaparece. O ciclista restante, após algumas curvas, desce da bicicleta e sobe empurrando por uma estreita e íngreme rua de cimento, por onde não passam carros. Reduzo as marchas e vou atrás. A ruela de cimento rapidamente se transforma em uma estrada vicinal bem técnica, ladeada por casas semi-ocultas pela mata que a tudo sombreia. Um fio pendurado nas árvores mostra o caminho, levando a energia para dentro da floresta e guiando o ciclista mineiro por domínios desconhecidos. Várias tilhas partem da estradinha, mas sigo firme o fio de luz. As casas rareiam e desaparecem. Agora somos só a bicicleta e eu contra a subida cada vez mais técnica. Araras e outros bichos gritam no escuro da mata. Tento economizar água pois não tenho a menor idéia de onde iria chegar.

cadeira-05594.jpg

Aos poucos as casas reaparecem e de repente vejo-me circulando por uma comunidade no meio da mata. Pequenas casas, com telhas de amianto ou palha. Varais cheios de roupa, cachorros, crianças se escondendo do visitante inesperado. Consigo chamar a atenção de um senhor que numa breve conversa me sugere uma visita à Casa das Pedras.

subindo-05663.jpg

A trilha inicialmente passa por entre os quintais de várias casas, subindo muito até a entrada do capão que delimita a mudança de vegetação. Agora era mata fechada, mas a trilha era larga e com o chão bem batido. A Mata Atlântica litorânea abriga muitos espinheiros, bambuzais, grandes formigueiros, várias espécies de cactos, bromélias, palmeiras e árvores frutíferas. O chão varia entre a terra e a areia compactada, mas por várias vezes anda-se sobre grandes lajes de granito.

formigueiro-05673.jpg

A trilha ascende gradativamente até onde se vê outra praia, lá embaixo. Itacoatirara é uma praia um pouco maior do que Itaipu, porém eu só podia vê-la. Acessá-la não estava nos meus planos.

visao-05644.jpg

Sigo pedalando aproveitando o cheiro e a sombra da mata, até que encontro dois nativos vindo em direção contrária. Pergunto pelas condições da trilha e o que encontraria no final. Apesar de eu ter mostrado minha garrafa com o equivalente a apenas dois dedos de água, os nativos me incentivam a seguir viagem. Se bem que um comentou com o outro que eu não conseguiria fazer de bicicleta a descida final. Foi o bastante para que eu me decidisse a atingir o fim da trilha. Agradeci-lhes e despedimo-nos com votos recíprocos de boa sorte.

trilha05643.jpg

A partir daí a trilha acompanha o dorso da montanha, variando entre subidas leves e descidas fortes até a primeira queda. São mais de 20 metros de escadaria natural feita raízes e pedras que desci carregando a magrela com cuidado para preservar o equipamento.

queda-05667.jpg

Mais um pedal rápido e logo chego a outro grande desnível. Este é pedalável apenas para os que têm sanguefrio. Meus pneus já estavam treinados e por instantes esqueci-me de que não possuía equipamento de segurança e soltei os freios. Venci este obstáculo sem maiores dificuldades, sentindo o vento bater no rosto.

desce-05662.jpg

A trilha volta ao plano na mata e de repente deparo-me com o último desnível. Uma grande e traiçoeira descida que inicia pedalável mas que vai se complicando, traindo algum ciclista mais distraído. Apesar da aparente dificuldade para os pneus rodarem a partir de um certo ponto, o nativo havia exagerado. Caso houvesse equipamento adequado disponível, seria sim possível descer também aquela parte. Como não era o meu caso, tive que descer carregando a última e mais radical parte do trajeto.O que me possibilitou chegar com menos pressa ao destino.

destino-05691.jpg

Num ponto extremo do litoral da R. O., a trilha desemboca num pontal de pedra nua e escarpada. Fica logo atrás das ilhas conhecidas como Tartarugas, na altura do limite entre a enseada protegida da R. O. e o oceano aberto. Já não se vê Itacoatiara, mas é possível visualizar grande parte de Itaipu “prá lá” até a cidade do Rio de Janeiro. Vários barcos de pesca lançam suas redes naquela parte do litoral.

rio-05674.jpg

flor-05690.jpg

Fotos e lanche rápido na pedra quente, ao som das ondas batendo com força lá embaixo, no mar. O relógio marca 16:30h, a água está no fim, não há sombra. Prefiro deixar para beber os últimos goles d’água nas subidas que teria que encarar. Respirei fundo e iniciei a volta empurrando com calma, consciente das dificuldades que enfrentaria. Subi os três grandes desníveis carregando a bicicleta e olhando para o chão. Isso não diminuiu a distância, mas me poupou de perder tempo e força divagando como subiria aquelas pirambeiras. Eu tinha que subir e pronto. Após alimentar várias famílas de mosquitos e depois de muita suadeira, consegui chegar novamente à crista da montanha. Dali seria tudo pedalável até o acesso às casas que guarnecem a entrada da trilha.

bomber-05666.jpg

Após duras mas agradáveis horas passadas na floresta, muito calor e visuais espetaculares, subidas e descidas fantásticas por trilhas perfeitas, o corpo pedia um alento. Ao retornar a Piratininga, um banho gelado no mar seria a recompensa ideal.

fecho-05678.jpg ………………………………………………………………………………………


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Comentários»

1. Márcio B. Carneiro - abril 4, 2007

Ver e viajar por Piratininga, com outros olhos, é uma chance única e maravilhosa. Me faz lembrar a primeira ida à praia, ainda menino, com meu pai, que foi um dos primeiros a comprar um terreno na restinga. Isto em meados de 50, do século passado. Mas não tinha feito estes caminhos que agora vejo por meio dos olhos de outra geração. Posso dizer que… fui a ponte.
Aqui fico com orgulho e maravilhado.
Mas,… vá com menos sede ao pote.
Obrigado,

2. CLEUZA - março 27, 2008

PAISAGENS MARAVILHOSAS SEM PALAVRAS LINDOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

3. luciano - fevereiro 24, 2011

cara, eu quero saber como eu chego nessa trilha e se da pra ir de bike tranquilo, sem perigo. gostei do seu site, ando muito de bike tb, e faço videos e fotos de lugares onde vou. moro em niteroi e qualquer coisa, entre em contato via youtube.com/luciano1107

Diogo - maio 28, 2012

uai Luciano, no início do relato tem as coordenadas… mas bora marcar uma ataque lá que te mostro onde fica!


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