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27>Trilha da Fonte>01.02.07 março 13, 2007

Posted by bttgeraes in 1.
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Ficha técnica:

Localidade: Nitérói, RJ
Data: 01 de fevereiro de 2007
Distância Total: 10km em 3h
Reabastecimento d’água: não
Sinal de Celular: sim
Tipos de via:
– estrada de asfalto: 5%
– estrada de terra: 5%
– trilha em mata: 90%
Navegação: difícil
Nível de Dificuldade: alto
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vista-05589.jpg

Explorações preliminares já haviam me levado ao portão da pequena vila, aos pés da montanha de granito, do lado oposto ao final da ciclovia. Na primeira vez que me aventurei a entrar, despretensiosamente escolhi o óbvio: subi a rua. Ingreme e técnica, a ruela conduziu-me a um lugar belíssimo, com goiabeiras no meio da mata numa pequena clareira inclinada, com vista total da lagoa. Porém esta rua não tem saída, e nem uma trilha partia dali. O que eu procurava estava do outro lado e somente na terceira incursão pude encontrar. Eu buscava o acesso ao Forte do Imbuí, que por sua vez me levaria ao Forte da Jurujuba, ambos reservas naturais militares cujo acesso tradicional pelo portão me era proibido. Havia também a possibilidade de atingir o ponto de decolagem de parapentes e asas delta, na crista da montanha. Eu tentava um ataque alternativo e de reconhecimento. portao-05578.jpg

A trilha inicia disfarçadamente ao lado de um muro chapiscado no meio de um bananal, em direção oposta à ruela. Penetro no matagal ao som dos cachorros das casas vizinhas, que nessas horas resolvem acordar e latir todos juntos. Voltando à trilha… ela desvia do bananal e sobe suavemente pela Mata Atlântica, o chão negro e molhado coberto de folhas. Logo depois de passar ao pés de grandes e carregadas jaqueiras, a trilha torna-se muito suja e fechada, pois é tradicionalmente percorrida a pé. na-mata-05701.jpg

chao-05747.jpg

Cipós e raízes aéreas dificultam ainda mais a passagem, que agora é bastante inclinada, o que me obriga a empurrar a btt. O avanço lento faz com que eu me torne alvo fácil para os vorazes mosquitos, porém diminui as chances de eu me enroscar nas teias de aranha que por diversas vezes fecham o caminho. Não são apenas aranhas. São grandes aranhas que constroem fortes redes capazes de sustentar, além de suas tradicionais presas, folhas e pequenos galhos que caem incessantemente das copas das árvores. Chão de pedras e raízes expostas, tudo coberto pelo limo que a umidade alimenta. Muitos macacos e pássaros fazem algazarra na mata, talvez assustados pela sinfonia de gravetos estalados que minha passagem
produz.

aranha-05702.jpg

flor-05710.jpg

A navegação não é fácil por causa da inclinação acentuada e dos espinhais que a todo momento parecem fechar a trilha. Subo marcando os atalhos que fui obrigado a fazer para desviar dos espinhais e das aranhas para que na volta – que certamente seria bem rápida – eu não me enroscasse em nenhum dos dois. Além de escura por causa da mata fechada, a subida da trilha raramente é pedalável, porém na volta estas mesmas subidas fariam a alegria de qualquer descedor de montanha.

role-05709.jpg

Grandes lajes de pedra começam a aflorar no chão, somando-se às raízes e pedras cobertas de limo. Os barrancos enriquecem a lista de terrenos que os pneus enfrentariam na descida. Passo por mais uns matagais, bambuzais e encontro as primeiras minas d’água. Brotam do chão filetes de água doce que alimentam a fonte que dá nome ao caminho, e que se encontra na entrada da vila, lá embaixo. Continuo o pedala-empurra até encontrar uma área dominada por frondosas mangueiras.

limo-05749.jpg

Sem referências visuais, encosto a btt no mato e subo numa árvore para me orientar, mas ainda assim tenho dificuldades para me situar. Percebo que falta ainda muito chão para que eu atingisse o Imbuí ou o ponto de decolagem. Sozinho e com pouca água, eu não conseguiria completar a trilha. A tarde caía rapidamente, ao contrário de mim, que lentamente subia a encosta. O calor e os mosquitos parecem incomodar ainda mais. Tento mais uma escalaminhada e chego a um grande bambuzal. A trilha parece morrer ali. Bebo o que me resta de água, faço fotos e abaixo o selim da bicicleta. Agora seriam somente freios e técnica. A navegação teria que ser ágil e precisa pois eu estava somente de boné, bermuda, tênis e camiseta. Não há chance para erros.

. bambu-05727.jpg

descida-05735.jpg

Desço tentando encontrar minhas marcações, desviando de espinhos e aranhas. Foi a descida de bicicleta mais rápida e extrema que já havia feito até então. As raízes molhadas e as várias nascentes não facilitaram, lembrando-me a todo momento que eu não tinha luvas nem capacete. Chegar nas bananeiras que marcavam a ligação da trilha com a vila foi uma bênção. Completamente suado, com o corpo empolado das picadas e arranhões e a mente cheia de boas lembranças e emoções. Pronto para um banho de mar no final de tarde. O que aconteceria nos próximos dias?

borboleta-05753.jpg

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