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33>Pedreira da Ventania>24.01.08 fevereiro 11, 2008

Posted by bttgeraes in ROTAS.
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Ficha Técnica:

Localidade: Matias Barbosa, MG
Data: 24 de janeiro de 2008
Distância Total: 24km em 4:40h
Reabastecimento d’água: não
Sinal de Celular: fraco
Tipos de via:
– estrada de asfalto: 30%
– estrada de terra vicinal: 30%
– trilha em mata: 40%
Navegação: difícil
Nível de dificuldade: alto
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17:20h – A saída de casa pedalando é sempre mais prazerosa, principalmente quando é para um pedal de exploração. O tamanho do perímetro urbano de Juiz de Fora – e de seu bolsão de pobreza – permite a proximidade entre lugares como pastos, nascentes e florestas e o centro da cidade. Fato é que pedalando pesado por 25 minutos em direção à Estrada União Indústria eu cheguei ao acesso da trilha. É a entrada de uma velha fazenda, hoje retalhada entre vários proprietários. Um simples mata-burro à esquerda, na beirada da estrada.

dsc07038-mais-claro.jpg

Havia chovido muito durante toda a semana. Sempre com sol na manhã e tarde, com chuva no final da tarde, aquele dia tinha sido diferente. A chuva chegara de manhã e o sol aparecia à tarde.
Parecia ser uma boa oportunidade. Parecia…

ventania-janeiro-002.jpg

Esta trilha faz parte de um emaranhado de caminhos que ainda estou explorando. Depois de analisar a região e após algumas investidas esclarecedoras, tive a oportunidade de conhecer e entrada do bambuzal. É necessário pedalar concentrado e sem errar. A entrada é estreita, íngreme e os cachorros da casa um pouco lerdos. É a conta de emburacar no bambuzal e acessar a trilha paralela, depois de ter subido uns 200 metros de estrada calçada de pedra.

17:47h – Como era um período de estiagem, os insetos estavam alvoroçados. Logo na entrada fui obrigado a parar para fotografar um grande toco podre de árvore morta sendo devorado por larvas e fungos. Cogumelos nasciam por todos os lados e os pássaros faziam enorme algazarra. Os insetos pareciam esfomeados mas não seria eu quem os alimentaria. Eu usava calças e blusa. Eram quase seis da tarde e a subida começava molhada e fria.

18h – Eu torcia para que a chuva não viesse, mas no horizonte ela dava sinais de que não tardaria a me alcançar. Meus planos eram atacar o topo da Ventania até o anoitecer, e descer no escuro. A lua cheia me ajudaria, mas somente se a chuva não chegasse.

ventania-janeiro-006.jpg


18:16h
– Cheguei ao primeiro planinho e venci a primeira porteira. A subida até ali fora feita quase toda empurrando. Muito íngreme, aquela subida se transformaria num dos maiores atrativos da volta. Adrenalina pura. Mas foi penoso conduzir a bicicleta pesada com pneus barreados por aquela trilha escorregadia.


18:28h
– Passei pela segunda porteira sem grandes problemas. O horário de verão empurra o entardecer para além das sete horas, por isso não havia pressa. Pude mais uma vez analisar os arredores e concluir que aquela trilha era acesso para muitas outras, ainda ocultas.

dsc07041-mais-claro.jpg

18:45h – Agora o terreno é intercalado por subidas e descidas curtas e bastante inclinadas. O chão coberto de folhas parecia querer fugir, de tão escorregadio. Além disso, as fezes de vacas e bois pontilhavam o chão, fazendo de qualquer deslize um tombo nojento.

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19:05
– Ultrapassei a penúltima porteira de arame farpado. É quando o morro da Ventania aparece por inteiro. Pedra coberta de terra. Todas as serras ao redor, mais baixas, já tinham sido encobertas pela neblina e chuva que se aproximavam. Logo a chuva estaria lá em cima, e eu também.

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19:24h
– A chuva definitivamente chegara, o que me obrigou a vestir a capa. O frio não era o maior dos incômodos, já que o esforço para conduzir a bicicleta naquele terreno molhado e ínclinado consumia toda a minha atenção. A subida era memorizada a cada passo, pois eu passaria ali de noite, e não poderia errar. Meu farol ajudava muito, mas a velocidade na volta seria fator crucial para tornar a brincadeira extremamente perigosa.

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19:35h – Cruzei a última porteira, eletrificada, tomando o cuidado de deixar o arame por cima do prego. Quem conhece porteiras de arame, em alguns lugares também conhecidas como tronqueiras, sabe que é possível colocar um prego para certificar que a alça de arame permanecerá naquele mourão que se prende à cerca.

Deixei o arame “destrancado” como uma marca, uma lembrança de que deveria atentar para o fechamento daquela tronqueira. É uma tronqueira muito pesada pois feita de 4 moirões sólidos e novos, além de estar instalada num local tão íngreme que às vezes parece que o chão sumiu. Este é o cenário desta cerca elétrica. A neblina e a chuva fina deixavam tudo ainda mais tenebroso.

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19:52h
– Ainda subindo, patinando, cheguei à conclusão que as chances de descer pedalando estavam próximas de zero. A terra molhada e compacta escorregava só de olhar. A cerração me impedia de enxergar além dos oito ou dez metros. O frio aumentou drasticamente quando a luz do sol desapareceu, mas eu estava no topo.

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20:01h
– Depois de agradecer ao criador por estar ali e curtir um pouco o frio, resolvi instalar o farol. Tirei a última foto e desliguei o telefone colocando-o junto dos itens que não poderiam molhar. Vesti a capa de chuva por cima de tudo. Conferi os freios e a pressão dos pneus. Tentei mais uma vez distinguir alguma coisa no horizonte semi-encoberto pela neblina, mas não pude ver quase nada. Agora era encarar a descida.

20:10h até 22h – A primeira e mais escorregadia descida foi emocionante. Ultrapassei a porteira eletrificada de forma desastrosa, tomando um mega-choque que iluminou o pasto com um clarão azul. Fui catapultado para trás e por sorte não caí em cima da bicicleta, que jazia alguns passos para o lado. Sorte.

Passado o susto, a pergunta: como vou passar? Eu não encostaria naquela tranca de arame e prego por nada. Alguns instantes de reflexão me deram a solução. Passei por baixo da cerca, rastejando, usando a bicicleta como alavanca. Ufa! Mas deixei a porteira destrancada, um sinal de que alguém havia passado, um desrespeito para com o proprietário… Depois dali o chão estava muito molhado, mas fofo, o que permitia que a bicicleta rodasse com alguma estabilidade.

Mesmo assim não foi possível pedalar até o fundo do vale. A subida seguinte também é muito íngreme e foi necessário empurrar. Chegando ao alto, na próxima porteira, as coisas melhoraram. Dali em diante seria tudo pedalável caso não estivesse muito escorregadio.

A volta foi uma seqüência interminável de descidas radicais intercaladas com pequenos aclives, ultrapassados na base do embalo. Quanto mais rápido você desce, mais alto você vai na hora da subida. Mesmo muito escorregadio consegui passar tudo sem empurrar. Velocidade máxima. Se triscar no freio é chão na certa. À noite todos as trilhas se parecem, e a floresta pode se tornar um lugar muito assustador, ainda por cima quando e se erra o caminho. Fui parar no quintal de uma casa. Claro que tinha uns dez cachorros enfezados, mas consegui fugir a tempo.

Voltei por onde entrei, acertei o caminho e alcancei a estrada. Dali até em casa foram 10 longos quilômetros de chuva, no escuro, com frio e dores musculares. Faz parte da aventura.

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Comentários»

1. Vinicius - março 10, 2008

Bacanasso o Relato!

Mas essa parte da cerca eletrificada foi assustadora!

2. Gláucio - abril 5, 2008

Caramba, essa sua aventura foi show de bola!!! Como faço pra encontrar essa trilha? Quais outras trilhas têm nessa região? Vlw


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