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38>Sobradinho>15.06.08 setembro 16, 2008

Posted by bttgeraes in 1.
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Ficha técnica:

Localidade: Sobradinho, distrito de S. T. das Letras – MG
Data: 15 de junho de 2008
Distância total: 14 km em 4h
Reabastecimento d’água:
não
Sinal de celular: zero
Tipos de via:
– estrada de terra: 12%
– trilha em campo: 80%
– trilha em mata: 08%
Navegação: difícil
Nível de dificuldade: médio
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Acordamos distantes 14km de S. Thomé, e talvez outros 7 ou 8km até Carrancas, mas apenas 4km me separavam de Sobradinho. Independente do roteiro a fazer, eu teria que voltar antes das 13h, para só então e realmente pegar estrada até casa. Eu ia pedalar sozinho e não me sentia cansado. A pequena revisão geral eu já havia feito à noite, e o equipamento não parecia dar mostras de fadiga da jornada do dia anterior. Quando saí eram quase 9 horas.

Logo na entrada de Sobradinho vi, à direita, o acesso para a gruta de mesmo nome do povoado. A experiência do dia anterior mostrou mais eficiente ir o mais longe primeiro, para somente então voltar percorrendo todos os atrativos. Eram 9:40h quando cruzei calmamente o povoado e procurei conversar com os nativos, perguntando por direções. Saindo pela direita e por detrás da cidade, encontrei algumas trilhas nos campos arenosos e rochosos que dominam a região. Muita técnica e força nos braços e pernas. Atingi a gruta por trilhas esquecidas. Belo sumidouro de águas, a gruta jazia deserta e silenciosa.

Após tirar algumas fotos, decidi que para o retorno tentaria um caminho alternativo, passando pela serra conhecida como ‘Serra do Seu Benico’. Saí da gruta e subi muito, pela lateral da serra. Navegando pelas encostas e tentando prever onde e como estariam as trilhas, eu apostava num projeto arriscado. Com hora para retornar para casa, eu me perguntava: será que existiriam mesmo as trilhas com as quais eu contava?

Lentamente avançando junto a antigos muros de pedra, trilhas estreitas e nascentes e sumidouros de água, eu tentava manter o equilíbrio em cima da bicicleta. Com a Serra à esquerda e às vezes avistando a estrada, embaixo, à direita, eu seguia o que pensava ser meu caminho.

Às 10:12h, ultrapassei uma curiosa formação rochosa que mais parecia feita pelo homem. A fenda na pedra, que se assemelha a uma galeria, é certamente o lar de muitas cobras, alguns jacus e outras siriemas. Ultrapassado este obstáculo, cheguei a uma queda d’água. A modesta cachoeira acolheu-me sem ressalvas, possibilitando que eu comesse minhas provisões na mais confortável ‘sombra e água fresca’ que eu poderia desejar naquele momento.

Fotos e filmagens feitas, retornei à trilha. Às 10:55h avistei, sempre à esquerda, mais uma pequena cachoeira, desta vez com um belo poço de tonalidade esverdeada. Sem tempo para um banho, molhei somente o rosto para aliviar o calor e segui viagem.

A esta altura eu já estava marcando com pedras o caminho para uma possível e fracassada volta, caso eu não encontrasse a saída que desejava. Mais uma pequena queda d’água e um belo poço verde, desta vez cercado por uma enferrujada cerca de arame farpado. Passou-se mais uma hora de trilha e eu pensava estar no caminho correto.

Avançando, sempre lentamente, cheguei a uma encosta seca de terra, varada por antigos caminhos de boi. Finalmente eu conseguia enxergar o lugar onde deveria estar a passagem, e a visão não era nada boa. Já passava do meio-dia e pouco e eu pensava que se não encontrasse a passagem para a estrada eu teria que voltar toda a trilha. O horário combinado para a viagem de volta para casa estaria ameaçado. Eu estava parado numa encosta seca, recortada por diversos trilhos de boi. Parecia que meu caminho seria interceptado por um caudaloso rio dentro da mata. Nessa hora eu me desconcentrei, e o medo de um retorno pela serra abalou meus pensamentos.

Então desequilibrei-me e caí de uma altura de uns dois metros neste terreno pedregoso e inclinado, atingindo outros caminhos, abaixo. A bicicleta veio junto, passando por cima de mim acompanhada de uma nuvem de poeira. Um tombo besta, parado, pode facilmente arruinar um passeio como este. Felizmente, afora alguns arranhões, estava tudo bem.

Reordenei os sentidos, respirei fundo, bati a poeira e segui viagem, já pensando num ataque no peito e na raça caso não encontrasse a passagem Eu não arriscaria voltar, e a estrada eu podia entrever. Descendo a encosta e varrendo a paisagem com olhos de lince, repentinamente avistei o caminho que precisava. Mirei naquela nesga de areia branca no pasto e assim alcancei o rio, que não era tão caudaloso, assim como a mata não era tão fechada como eu havia imaginado. Saltei o rio como pude e continuei a marcha, agora divisando claramente o caminho que deveria seguir para atingir a estrada.

Cruzei o ribeirão onde alguns cupinzeiros pré-históricos ladeavam a trilha. Mais subidas técnicas de pasto e eu cheguei ao empoeirado acesso para Sobradinho. Olhei no relógio e o tempo restante foi exatamente o suficiente para retornar até a base e dali seguir caminho para casa.

Nota: Após esta trilha, ao desarrumar a mochila que eu havia levado, a surpresa: eu fiz este ataque sem câmara reserva, nem remendo. Somente a bomba, frutas, água e alguma sorte me acompanharam.

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Comentários»

1. Rodrigo Müller - setembro 16, 2008

Sensacional…..

Lindo dia, lugar maravilhoso, ótimo relato

Parabéns por pedalar nesse parque.

Abraços

2. Pedro Barbosa - setembro 24, 2008

Espetacular esse rolé de sobradinho heim? Um dos mais balas do bttgerais. E cadê o resto da moçada, ninguém posta mais não?

Abraços

3. Laz Muniz - setembro 29, 2008

Dôidimais!!! rsrsss
Andei buscando algum circuito do tipo pelas montanhas de Itabira… cadê?
Abraços e sucesso sempre o site tá bacana demais!
Laz Muniz
Ilustrador e Cartunista – Ciclista nas horas vagas.


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