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Caracterização do Cerrado

O cerrado é uma formação vegetal que ocupa área de 1,3 milhões de km quadrados no território brasileiro, sendo que 80% desta área fica nos estados de Minas Gerais e Mato Grosso. O aparecimento desta formação está condicionado principalmente ao tipo de profundidade do solo e pela atuação do homem através do desmatamento e de queimadas.

Convém salientar que não se trata de uma cobertura vegetal uniforme, pois no sentido geral ele é um complemento vegetacional onde podemos encontrar desde campos até florestas, passando gradualmente ou mesmo bruscamente de uma formação à outra.

Dentro do complexo em questão, temos: campo limpo, campo sujo, campo cerrado, cerrado propriamente dito e o cerradão (floresta mesófila esclerófila), além das inclusões de mata ciliar ou de galeria, mata seca (floresta mesófila estacional), veredas ou buritizais e campos rupestres (campos pedregosos de altitude).

1. Campo Limpo
Formação vegetal caracterizada por campos revestidos maciçamente por gramíneas, apresentando às vezes arvoretas muito afastadas entre si. Ocorre em solos arenosos rasos ou duros, nos quais há real deficiência de água durante os meses secos.

2. Campo Sujo
Forma degrada de cerrado onde este se mostra composto principalmente por um campo graminoso, no qual aparecem algumas arvoretas e arbustos muito afastados entre si, porém com maior freqüência se comparado ao campo limpo.

3. Campo Cerrado
Constitui-se também de uma forma degradada de cerrado, ocorrendo em solos rasos, cascalhentos, quase sempre em relevo ondulado ou, mais raramente, em relevo plano ou suave-ondulado de chapadas. A composição florística é quase a mesma do cerrado propriamente dito, sendo que a cobertura vegetal torna-se bem mais baixa reduzindo-se a arbustos sem grande significação. Ocorre na Zona do Alto e Médio São Francisco, Alto Paranaíba, Paracatu e Triângulo Mineiro.

4. Cerrado propriamente dito
O cerrado propriamente dito apresenta geralmente paisagem monótona com árvores tortuosas, de cascas grossas e gretadas, interrompidas de longe em longe por uma ou outra árvore de porte mais ereto, emergente. Frequentemente o cerrado é com posto por três estratos: o arbóreo, que é aberto e mais ou menos contínuo; o arbustivo e subarbustivo, que se mostra denso e de composição florística muito variável; e o estrato herbáceo constituído principalmente por gramíneas. Áreas do cerrado podem ser encontradas nas Zonas de Alto e Médio Jequitinhonha (partes), Montes Claros (sul), Alto e Médio São Francisco (quase totalidade), Campos das Vertentes (parte), Metalúrgica (parte), Paracatu (em quase totalidade), Triângulo e Alto Paranaíba (áreas esparsas), ocupando relevo de plano a suave ondulado. Fazendo parte de sua composição florística, que de maneira geral mostra-se bastante constante e pouco variável, vamos encontrar no estrato mais desenvolvido, típico desta formação, arvoretas com 5-6m de altura, relativamente espaçadas entre si, às vezes tocando-se de leve. O estrato arbustivo pode ser muito diversificado, rico e denso em algumas áreas do Triângulo Mineiro, Paracatu, Alto e Médio São Francisco, geralmente em área de latossolos (solos pouco férteis). Pode também apresentar-se ralo e pouco representativo sobre terrenos pobres ou que empobreceram através de práticas condenáveis como o manejo incorreto ou pastoreio intensivo.

5. Cerradão (floresta mesófila esclerofila)
Cobertura vegetal peculiar que difere do cerrado pelo aspecto silvestre. Além de possuir uma densidade maior, as árvores não são tão ramificadas quanto neste. Ocorre em solos vermelhos e arenosos, sendo sua estratificação composta por três estratos: o estrato arbóreo (denso); o estrato arbustivo (nítido e não raro denso); e o herbáceo, constituído por algumas poucas gramíineas. A altura média de suas árvores varia de 3 a 12m, geralmente de porte bem menos desenvolvido que o de uma mata seca. Apresenta dois estratos arbóreos distintos, as copas das árvores tocando-se, mesmo assim havendo bastante espaço entre os troncos para penetração irregular de luz.

FORMAÇÕES VEGETAIS PRESENTES NOS DOMÍNIOS DO CERRADO

Nas regiões conhecidas como “Domínio do Cerrado”, no Planalto Central Brasileiro, acham-se presentes alguns ecossistemas que se constituem como ‘inclusões’ em meio ao cerrado. Dentre os mais comuns destacam-se os abaixo descritos.

1. MATA PERENIÓFILA DE GALERIA OU MATA CILIAR Situada ao longo dos rios e cursos d’água menores, hoje reduzida a capões esparsos, representando estações avançadas da mata atlântica no Planalto Central.

2. MATA SECA (floresta mesófila estacional)
Formação florestal sujeita a um ritmo estacional que se traduz pela queda de suas folhas durante a seca. Acha-se muito associada são cerradão, diferindo deste principalmente pelo seu solo ser bem mais rico, pela camada de folhas mortas que é mais espessa e por se localizar geralmente em depressões onde haja certa abundância de água. Constitui a formação florestal mais freqüente na área. De forma geral, as formações florestais como o cerradão, a mata pereniófila e outras formas apresentam-se sempre degradadas pela extração constante de espécies de maior valor madeireiro.

3. VEREDAS
Em depressões e em alguns vales dos rios São Francisco, Pardo, Cocha, Preto, Claro, Abaeté entre outros, ocorre esta comunidade que possui fisionomia sempre verde, sendo constituída por um estrato arbóreo arbustivo envolvido por área graminosa. O estrato arbóreo é quase que exclusivamente representado por agrupamentos de buritis. São considerados como bacias coletoras de águas absorvidas pelos platôs adjacentes, funcionando como vias de drenagem. Pelo seu aterro gradual, aliado ao tipo de solo e à umidade existente, transformaram-se gradativamente em uma forma típica de floresta, com espécies características, de porte não muito desenvolvido, conhecidas como ‘matas de alagado’.

4. CAMPO RUPESTRE
Ocorrências escassas e geralmente pouco extensas, marcam os altos de serras apresentando-se como campos pedregosos e castigados pelos ventos, constantes. Seus estratos herbáceo e arbustivo mostram-se os mais desenvolvidos, contando com exemplares das famílias Vellosiaceae, Eucariaceae e Melastomataceae, entre outras.

 

fonte: Guia Ilustrado de Plantas do Cerrado de Minas Gerais – Cemig/1992
adaptado por: Diogo

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