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Limpeza na Represa

Desde que o btt entrou na minha vida tenho aprendido a lidar com rotinas específicas, que incluem desde praticar mecânica de bicicletas até uma alimentação e postura mais saudáveis.

Outra rotina particular incluida na prática do btt é a procura por locais próximos à minha residência para treinar. Então acabo elegendo rotas que geralmente reúnem as seguintes qualidades: uma distância razoável, algumas subidas, parte plana para tiros de velocidade e algus obstáculos. Procuro também dotar os roteiros de algus lugares aprazíveis, onde se pode beber água e comer uma laranja tranquilamente, e sem o perigo de ser assaltado! Sempre que possível há trechos de terra ou gramados em parques ou praças, aumentando a gama de dificuldades no trajeto.

A frequência dos treinos permite que se perceba algumas particularidades. Atualmente existe para mim um local de parada, descanso e alongamentos onde sempre que passo recolho todo o lixo que encontro. A primeira vez que fiz foi com o pensamento: “vou experimentar catar este maço de cigarros este copinho de café só para ver que tipo de porco frequenta este lugar”.

Por não haver uma lixeira próxima, analisando o tipo de lixo deixado, eu poderia avaliar o tipo de pessoa que, além de mim, frequentava aquele lugar. Mas não o simples frequentador. Era um frequentador específico: aquele que consome seus produtos e imediatamente joga as embalagens a seus próprios pés. Ou “esquece” de levar de volta…

Eu achava que iria catar apenas algumas poucas vezes, mas sempre que eu retornava àquele lugar havia algum tipo de lixo. Questionando a capacidade de seres humanos serem tão porcos, resolvi então que cataria todo o lixo de uma determinada área em torno, para que tivesse então um primeiro terreno totalmente limpo para iniciar a avaliação de quem frequentava aquele habitat. Acabei fazendo então a primeira “limpa” oficial do terreno, catando todo e qualquer detrito que encontrasse naquele canto específico da praça, num raio de não mais de 10 metros. Para minha surpresa, enchi cinco sacolas – dessas de supermemercado, que sempre carrego comigo – com embalagens dos mais diversos tipos de alimentos industrializados. Latas, plástico, garrafas e papéis, antes de poder dizer que tinha umá área relativamente limpa. Por algum tempo pensei ter conseguido manter o local pronto para iniciar a pesquisa, mas sempre aparecia uma garrafa de plástico ou caixa de fósforos para macular o local. Por mais que eu catasse, era muito difícil manter o local pronto para o início dos trabalhos. À maneira de Darwin, percebi então que já havia iniciado a pesquisa.

A observação me fez concluir que por mais que catasse os plásticos sempre apareceriam outros, trazidos por algum visitante que na ida é capaz de carregar seu lanche na mão, mas na volta fica inexplicavelmente impossibilitado de trazer vazios a garrafa, os copos de plástico e os saquinhos de biscoitos.

Em outras ocasiões e lugares também já tive arroubos de catar e levar embora o lixo. Por ocasião da mobilidade que a bicicleta dá, muitas vezes trouxe de cachoeiras cujo acesso é muito difícil vários tipos de detritos. Muitas das vezes, ao invés de carregar o lixo encontrado, já queimei o lixo recolhido, mas até hoje carrego sacolas de plástico para carregar detritos que lamentavelmente podem ser encontrados em qualquer lugar.

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Dia 29 de outubro, 2006. Meu amigo de fé irmão camarada Daniel estava visitando a cidade e já havia comentado da possibilidade de fazermos um giro. Eu não queria levá-lo para um giro banal, urbano… pretendia levá-lo para algo com menos lixo e mais atrativos. O domingo amanhece com sol e o planejado era passear por uma das trilhas já descritas anteriormente num relato: A Represa João Penido.

Pegamos minhas bicicletas e rapidamente vencemos a distância que nos separava das trilhas. Longo trecho plano na beira do rio, depois de descer a Grande Avenida e cruzar a linha do trem. Logo pegamos a primeira estradinha abandonada de terra como toda boa trilha deve ser. Buracos e valas na subida, com intervalos pra embalar. Subimos bem até determinado ponto. O sol já mostrava, em nossos lombos, um dos desafios do dia, e na sombra fizemos a primeira parada. É impressionante como uma simples sombra de algumas árvores muda completamente o microclima de um lugar. Frescor gélido e tranquilizador na sombra aqui, mas a dois palmos para a direita, calor úmido e desconfortável.

Voltando ao ataque, cruzamos o pequeno mataburro após a mata, e escolhemos subir a trilha antes de atingir a água. Iniciamos então o longo singoltreque que nos levou ao alto do pasto.

na-porteira.jpg

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Na descida para a lagoa, eu pensava onde iríamos nadar. Escolhi uma pequena enseada arenosa. Ao chegarmos, constatamos que o nível da água da lagoa estava baixo. Nas margens secas, notamos algum lixo espalhado por ali e então o programa se transformou. Resolvemos fazer uma cata geral no lixo, e depois queimaríamos tudo. Não sem antes fazer umas fotos do material recolhido, acompanhado da bela idéia do amigo…

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Notem que até a mensagem é biodegradável…

mensagem-na-areia.jpg

Queimamos todo o papel e plástico. O vidro e as latas foram depositados em lixeiras urbanas.

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Esperamos que a frase fique na grama pelo tempo suficiente de fazer o máximo de pessoas mudar a atitude poluidora…

fecho4.jpg

Comentários»

1. Léo Menezes - novembro 20, 2006

Concordo com tudo que vocês falaram.Impressionante como está cheio de “porcos” pelo meio do mato- aliás este adjetivo devia ser mudado, pois o porco de verdade não sai de sua casa para ir cagar na casa dos outros- o sujeito é na verdade um escroto.A gente que anda de bicicleta então vê cada coisa terrível, lixo das mais variadas procedências nos lugares mais incríveis, como se o escroto que o deixou por ali, não tivesse um pouco só de consciência, então cabe a nós este papel de defensores das matas, limpando a sujeira dos outros para que esses outros possam, quado voltarem para trazer mais lixo, encontrar o local limpo para eles.Como diz minha mãe: “cada um com sua cruz”

2. Daniel Porfírio Guerra - dezembro 19, 2006

Agora posso responder sobre o relato, sabe como é final de semestre, correria no emprego e tudo mais. Como meu grande amigo já escreveu no relato, temos que conscientizar a população sobre jogar todas espécies de lixos na nateureza e em locais públicos. Temos que educar a população, pois ela própria não deve gostar de ser chamada de porca e principalmente de espírito de porco.Que com esta mensagem, seja destribuída até na China se possível. Abraços à “todos”.

3. Talitha Campos - julho 16, 2008

Muito legal este trabalho que faz!
Gostei da sua escrita e principalmente da sua atitude!
É o que todos deveriam fazer. “Ter atitude!” Falar não basta, tem que se mover em prol do meio ambiente – fonte de saúde e qualidade de vida!

Quanto a estas pessoas que não ajudam e ainda prejudicam… Resumo dizendo que são ignorantes e inconseqüentes. Quanto aos ignorantes apenas vc consegue conscientizá-los, mas os inconseqüentes são mais difíceis!
Mas, tem aquele ditado “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.
Continue fazendo a sua parte e disseminando este trabalho, muitos já vão aderindo a sua idéia.
Eu por exemplo, conte comigo!


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