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Uma natureza humana

O meio ambiente é muito importante para ser tratado a partir apenas da razão, da ciência e da tecnologia. Estas, ainda que contribuam para seu conhecimento, são insuficientes para provocar mudanças significativas que protejam e melhorem o ambiente.

O desequilíbrio ecológico interior dos homens, em última instância, é o responsável pelo desequilíbrio ecológico externo, para além dos fatores ligados à sociedade, à cultura, à industrialização e ao desenvolvimento. A natureza dos homens é indissociável da natureza exterior. É portanto necessário refletir e esclarecer a origem dos distúrbios, não permitindo que a possessividade que está na raiz do consumismo e da exploração em excesso – do homem e da natureza – acabem por destruir nosso planeta.

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Os valores culturais norteiam as atitudes e competências de um povo em relação ao seu meio ambiente. Para nosso conforto e satisfação transformamos a natureza pois é dela que vem toda a matéria-prima dos bens que consumimos. Após uma análise detalhada percebemos que assim empobrecemos nossa única fonte de bens e que, através de processos industriais – geralmente poluidores – causamos um duplo impacto: devastamos os recursos naturais e pressionamos a natureza.

É fácil perceber que após o consumo frequentemente descartamos os bens transformados (a natureza) na forma de lixo, embalagens e resíduos. Fazemos isso diariamente, num processo análogo ao que as crianças fazem com os brinquedos: jogam fora e querem mais… Desta forma, após transformar a natureza, a pressionamos. Os elementos tirados da natureza deixam de participar do equilíbrio natural do qual faziam parte anteriormente. Na sociedade urbana há forte apelo ao consumismo e a qualidade de vida está associada ao consumo de bens materiais. Só que a natureza tem certa capacidade de suporte, e o limite parece estar próximo. Mudanças de valores, de mentalidade e de comportamento são fundamentais para o futuro da espécie humana, no limiar desta situação.

A “ecoação” voltada para o bem estar de cada um e de todos os seres vivos, urge ocupar o lugar da “egoação”, voltada para satisfação egocentrada de desejos e compulsões, produtos da ecologia interna desequilibrada. O homem é produto do meio, que por sua vez também é produto do homem. Uma visão de mundo pós-consumista é condição fundamental para conter a deterioração ambiental. Desta forma podemos começar a agir. Somente assim reduziremos a pressão sobre os recursos naturais, materiais e de energia, visando a garantintir qualidade de vida saudável e duradoura para gerações presentes e futuras.

por Arthur Borges de Mattos Carneiro, em março de 2006.

(Texto elaborado a partir de trechos do livro “Ecologizar: pensando o ambiente humano” de Maurício Andrés Ribeiro, Editora Rona, 2000, Belo Horizonte.)

Comentários»

1. joão paulo - março 21, 2010

tudo bem galera, eu preciso de livros que falem sobre os impactos ambientais do btt e tambem de recuperação de trilhas se alguém puder citar alguns eu agradeço.


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