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Pedale e respire

Bike e Yoga: ligados na performance e filosofia de vida
Por Ana Paula de Oliveira

À primeira vista, bike e Yoga não parecem caminhar em harmonia, afinal, o ciclismo é uma modalidade tão frenética, enquanto o Yoga é tão sereno. E é exatamente por esse extremo que um complementa tão bem o outro, tanto na performance quanto na filosofia. Isso porque, em muitos aspectos, o Yoga tem uma forte ligação com o ciclismo, pois, uma das filosofias do Yoga é realizar uma ação que seja benéfica não só ao indivíduo quanto ao coletivo. Com isso, optar pela bicicleta ao carro implica em respeitar o ambiente e ainda contribuir com um trânsito mais livre, de acordo com Marcos Rojo, professor de educação física, diplomado em Yoga pela escola Kaivalyadhama, de Lonavla, Índia, e professor de Yoga da USP.

Já na prática, o Yoga é um dos complementos mais indicados para quem deseja melhorar sua performance sobre a bike, pois, além de beneficiar a postura e a flexibilidade, ainda alivia a tensão muscular e aumenta a capacidade de concentração do ciclista, de acordo com Rojo, que também foi responsável por treinar a equipe brasileira de ciclismo. E foram os ensinamentos do Yoga os responsáveis por Fabio Alberto Dipp, 33, concluir neste ano o Audax 600, prova de ciclismo de longa duração, com 600 km, na qual o ciclista pára de pedalar apenas para se alimentar. “Na madrugada, aquele silêncio e a escuridão e eu ali, sozinho. Anos de Yoga me ajudaram a vencer o cansaço físico, a fome e o sono”, recorda Dipp, fisioterapeuta e professor de educação física, yogi desde 1994.

Para ele, que, nessa competição, passou 32 horas pedalando, o ciclismo em si já é uma forma de meditação. “Eu me concentrava nas faixas de trânsito ‘voando’ sob os pneus da minha bicicleta. Aquilo era uma espécie de transe, que me absorvia por muito tempo e, assim, esquecia das dores, do sono, da fome”. Dipp concluiu a prova em primeiro lugar. Um dos maiores fenômenos do ciclismo mundial também lançou mão dos ensinamentos do Yoga como forma de complementar seus treinamentos. O norte-americano Lance Armstrong, heptacampeão do Tour de France, praticava um set de cinco a 20 segundos de navasana (postura do barco), que trabalha principalmente a musculatura do abdome.

De acordo com José Bastos, 61 anos, instrutor de Yoga, a flexibilidade e o alongamento – contemplados pelo Yoga – são outro ponto importante para os ciclistas. Os alongamentos esportivos de hoje são muito parecidos com as posturas do Yoga. “E é imprescindível para o ciclista ter uma boa flexibilidade e um bom alongamento a fim de evitar dores”, diz o professor, que pedala há mais de 40 anos, inclusive chegou a ser ciclista federado em sua juventude. Esses asanas contribuem para o fortalecimento do tônus muscular e alongamento dos atletas. “São práticas derivadas. O importante é que o grau de intensidade seja sempre baixo e que o praticante aprenda a usar apenas os músculos essenciais naquele movimento, coordenado com a respiração”, diz Marcos Rojo. E alguns desses asanas encaixam-se perfeitamente nas necessidades dos ciclistas, principalmente os que trabalham a musculatura lombar, a cervical-peitoral, a do pescoço e a posterior da coxa.


Ciclistas de fim de semana

Para aqueles ciclistas que não têm intenção de participar de provas audaciosas nem ser heróis da modalidade, o Yoga pode, também, contribuir para sua performance, mesmo que seja para pedalar nos parques aos finais de semana. “Eu pedalo para me locomover apenas, e não como prática esportiva. O Yoga, no entanto, contribui para meu ritmo, pois andar de bicicleta é ter ritmo de pedalada”, diz o professor de Yoga Tiago Collado Bastos, 30 anos. Ele ainda arrisca relacionar a cadência da pedalada a dirigir um automóvel. “No trânsito, o carro consome muito mais gasolina por estar em velocidade inconstante. Já na estrada, a tendência é economizar o combustível”. Seguindo esta analogia, pedalar ora rápido, ora devagar, isto é, sem cadência, consome bem mais energia do que girar constante, ritmado. “Assim, o Yoga ajuda a otimizar meu esforço. Com isso, consigo pedalar mais e ir mais longe”, conclui.


Para começar a pedalar

Aqueles que nunca pedalaram ou são traumatizados com a idéia de subir em uma bicicleta provavelmente não conseguiram se equilibrar e sair pedalando, pois tentaram aprender o ofício em uma bicicleta errada, grande, ruim, desequilibrada, que não andava em linha reta. Ou foi orientado por um instrutor com pouca pedagogia. Para isso, é importante que a bicicleta seja compatível à estatura do ciclista.


No trânsito

>> Use sempre capacete
>> Seja educado
>> Obedeça às leis de trânsito
>> Sempre sinalize suas intenções
>> Use roupas claras ou chamativas
>> Evite ruas e avenidas movimentadas
>> Mantenha-se à direita e na mão de direção (apesar de ser senso comum, nunca pedale na contramão)
>> Não faça ziguezague: procure pedalar mantendo uma linha reta
>> Aprenda a ouvir o trânsito
>> Não pedale onde o motorista não possa vê-lo
>> Nunca entre de supetão nos cruzamentos, esquinas ou saídas de estacionamentos
>> Não pedale muito próximo ao meio-fio Não use aparelhos eletrônicos, que podem tirar-lhe a concentração

Além da economia de esforço, o Yoga contribui também para minimizar as dores proporcionadas por horas sentado sobre o selim, além de evitar e até tratar lesões provenientes do ciclismo, pois os movimentos colaboram para o fortalecimento do tônus muscular e da flexibilidade da musculatura. “Ficava com o ombro tenso e agora estão menos rijos. Assim, consigo transferir a energia que tensionava meus braços para a pedalada”, afirma Bastos.

Isso porque o ciclismo é um esporte no qual o indivíduo permanece em uma postura artificial, portanto, merece uma compensação – e o Yoga traz benefícios anatômicos, como a melhora da postura e da flexibilidade, e fisiológicos, pois promove a saúde dos órgãos, intensificada pela modificação das pressões internas, melhorando a condição circulatória geral, de acordo com Cleber Anderson, ex-ciclista profissional e um dos pioneiros a unir o Yoga ao esporte.

Os benefícios do intercâmbio entre as duas modalidades não se limitam aos ciclistas que praticam Yoga, mas, também, aos yogis que queiram incluir a bicicleta no seu dia-a-dia. “Andar de bicicleta melhora o sistema cardiovascular do praticante de Yoga, que, com isso, encontrará maior disposição e condicionamento para a realização das posturas”, explica Tiago.


Pranayamas e concentração

Normalmente, passeios simples como pegar a bicicleta e dar uma volta no parque exige ações como pedalar em subidas, descer ladeiras, prestar atenção ao trânsito e ainda desviar de obstáculos. Tarefas que, ao mesmo tempo, requerem concentração. E nisso as técnicas do Yoga são indiscutíveis, principalmente por conta dos pranayamas, que, com suas técnicas, habilitam seus praticantes a se concentrarem na pedalada, mesmo sob situações adversas. No Yoga, a respiração é parte vital da sessão. Aprende-se a respirar calma e propositalmente. Essa prática habilita o indivíduo a focar nos músculos que estão sendo exigidos para determinado movimento – e esse estado requer tal tranqüilidade mental alcançada apenas quando o resto do mundo é distanciado por alguns, porém preciosos, momentos.

E aprender a respirar corretamente durante as pedaladas é parte importante do treinamento do ciclista. O Yoga ensina aos indivíduos a respirar relaxadamente, porém energizando os músculos ao mesmo tempo. Assim, respirar profundamente, mas devagar, e mentalmente direcionar o oxigênio e a energia aos músculos das pernas, região lombar, pescoço ou tríceps ajuda a reduzir as dores nessas regiões e aumentar efetivamente as técnicas de pedalada. Um dos fatores da adesão do ciclista Cleber Anderson ao Yoga foi exatamente a falta de concentração. “Competia provas de pista que são resolvidas em questão de minutos. Precisava de concentração, usar bem a minha respiração e também não contrair os músculos errados. Esses pontos eu evolui com o Yoga”.

Fonte: eYoga
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